
O avanço da seca no Piauí aumentou a preocupação da Secretaria Estadual da Agricultura Familiar com a sobrevivência dos animais criados por pequenos produtores rurais. A falta de água para manter os rebanhos é apontada como um dos principais desafios enfrentados pelas famílias do semiárido, que também sofrem com a redução da produção agrícola e as dificuldades de acesso à alimentação animal.
A secretária estadual da Agricultura Familiar, Rejane Tavares, afirmou nesta quinta-feira (22) que a manutenção dos animais se tornou uma das situações mais preocupantes no campo. Segundo ela, o governo trabalha na ampliação da infraestrutura hídrica para reduzir os riscos de perdas na produção e na criação de animais.
O estado enfrenta um período de estiagem que já levou mais de 70 municípios ao reconhecimento de situação de emergência pelo Governo Federal. A redução das chuvas compromete reservatórios e dificulta o abastecimento das comunidades rurais.
De acordo com a secretária, desde 2024 o governo desenvolve ações de convivência com o semiárido, incluindo a construção de mais de 3 mil cisternas destinadas ao armazenamento de água para consumo humano. Entretanto, a estrutura existente ainda não atende plenamente às necessidades da produção agropecuária.
"Nós já temos mais de 3 mil cisternas construídas. Então esses agricultores enfrentam essa seca com uma infraestrutura que não existia antes. Temos, pelo menos, água para o consumo humano com muito mais tranquilidade. O grande desafio agora é começar a montar as infraestruturas produtivas, que são as cisternas de produção, que permitem também a manutenção dos animais nesse período de seca", explicou Rejane Tavares.
A preocupação da secretaria é que a continuidade da estiagem comprometa a capacidade dos agricultores de alimentar e fornecer água aos animais, aumentando o risco de mortes e prejuízos para as famílias que dependem da criação como fonte de renda.
Para reduzir os impactos, o governo mantém parcerias com a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), que disponibiliza milho subsidiado para alimentação animal. A medida busca diminuir os custos enfrentados pelos criadores durante a estiagem.
"A situação hoje é muito mais séria para que os pequenos agricultores consigam manter seus animais. Temos parcerias com entidades como a Conab, que tem a venda do milho subsidiada e permite ao agricultor ter acesso a alimentos para seus animais. Mas sabemos que ainda temos muitos desafios e estamos correndo atrás para que essas infraestruturas hídricas permitam ao agricultor familiar passar esses períodos com um pouco mais de tranquilidade", afirmou.