
Após a inflação de setembro superar as projeções, os analistas do mercado financeiro aumentaram, pela quarta semana consecutiva, a previsão para o IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo) deste ano. Mesmo com a estimativa, os analistas consultados pelo BC (Banco Central) ainda preveem dois cortes da taxa Selic neste ano.
Mercado financeiro prevê inflação de 5,22% para este ano. O percentual corresponde ao aumento das expectativas pela quarta semana seguida. Há sete dias, a projeção apresentada pelo Relatório Focus, do BC (Banco Central), indicava para uma alta de 5,01% dos preços no Brasil.
Previsão indica que a inflação vai superar o teto da meta. Caso as perspectivas sejam confirmadas, o índice deve fechar o ano acima do intervalo estabelecido pelo CMN (Conselho Monetário Nacional) para o índice oficial de inflação, que é de 3%, com margem de tolerância de 1,5 ponto percentual (entre 1,5% e 4,5%).
BC vê 90% de chance de estouro do limite de tolerância. A estimativa foi apresentada pelo Relatório de Política Monetária referente ao terceiro trimestre. No documento, a autoridade monetária manteve em 5,2% a estimativa de alta acumulada do IPCA deste ano.
Perspectivas apontam para aceleração do IPCA em outubro. Após a alta de 0,82% de setembro vir acima das expectativas, os analistas projetam uma perda de força da inflação neste mês, com avanço estimado de 0,33%. Para novembro e dezembro, as projeções indicam altas de 0,35% e 0,56% do IPCA, respectivamente.
Previsão para a inflação de 2027 permaneceu estável em 4,30%.Já as novas estimativas para 2028 e 2029 recuaram de 3,80% para 3,79% e de 3,51% para 3,50%, respectivamente.
Mercado ainda projeta mais dois cortes dos juros neste ano.Mesmo com as estimativas para uma inflação maior, as previsões mostram que a taxa básica de juros ainda deve cair mais 0,5 ponto percentual neste ano, dos atuais 13,75% para 13,25% ao ano. A redução é prevista para as reuniões de novembro e dezembro do Copom (Comitê de Política Monetária).
Juros são a principal ferramenta de política monetária contra a inflação. A elevação da taxa Selic é utilizada como alternativa para limitar o consumo e, consequentemente, conter o avanço do IPCA. Por outro lado, quando a Selic recua, ela estimula o consumo e os preços tendem a subir devido à demanda maior por bens e serviços.