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Calor extremo pode agravar apneia do sono, diz estudo

Noites de temperaturas altas estão associadas ao aumento da frequência do distúrbio

Portal SRN
Por: Portal SRN
04/04/2026 às 06h30 Atualizada em 04/04/2026 às 21h01
Calor extremo pode agravar apneia do sono, diz estudo
Imagem: Reprodução

Noites excessivamente quentes, típicas de ondas de calor, podem elevar a frequência de apneia obstrutiva do sono. A conclusão é de estudo da Universidade Flinders, na Austrália, publicado no European Respiratory Journal.

Para cada grau de aumento na temperatura, a prevalência da apneia cresce 1,12%. Diante da elevação mundial de temperaturas, pesquisadores afirmam que o cenário pode aumentar a carga global da doença, com impactos individuais e econômicos.

“Sabíamos que fatores ambientais influenciam o sono, como temperatura, poluição e sazonalidade, mas a relação direta entre ondas de calor e piora dos índices de apneia é um dado recente”, diz a neurologista Letícia Soster, do Hospital Israelita Albert Einstein. Para a médica, o estudo sugere que extremos climáticos impactam a fisiopatologia da doença, não apenas a qualidade do sono.

Os pesquisadores analisaram dados de 67.558 adultos de 17 países europeus de 2020 a 2024. Os episódios de apneia foram avaliados por sensor no colchão. As ondas de calor foram definidas como períodos de pelo menos 3 noites consecutivas em que a temperatura média excedeu as máximas históricas.

MECANISMOS E RISCOS

Ambientes muito quentes dificultam a dissipação de calor do corpo, fragmentam o sono e aumentam despertares. Essa fragmentação prejudica a respiração e pode favorecer a apneia. Também pode haver resposta inflamatória ao estresse térmico.

Pacientes com doença moderada a grave, idosos e pessoas com comorbidades cardiovasculares são mais vulneráveis. O estudo reforça orientações como manter o quarto em temperatura adequada e garantir o uso do Cpap (Pressão Positiva Contínua nas Vias Aéreas, na sigla em inglês).

Por ser um trabalho observacional, não é possível estabelecer relação de causa e efeito. Fatores como uso de ar-condicionado, ventilação e presença de outras doenças não foram avaliados. “Mais do que uma conclusão definitiva, é um alerta dentro do contexto das mudanças climáticas”, afirma Soster.

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