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Endividamento das famílias preocupa governo e bancos

Ideia de limitar juros do rotativo enfrenta resistência e pode ter efeito contrário no crédito

Portal SRN
Por: Portal SRN Fonte: CNN Brasil
26/03/2026 às 14h15
Endividamento das famílias preocupa governo e bancos
Imagem: Reprodução

A preocupação demonstrada pelo governo com o nível de endividamento da população não se restringe ao Planalto. As instituições financeiras também estão atentas ao efeito negativo que a conjuntura econômica atual pode provocar no mercado de crédito — mais especificamente, sobre o nível de inadimplência das famílias. E avaliam que o momento pode exigir um esforço de renegociação de dívidas junto aos clientes mais endividados, algo semelhante ao que foi feito em 2023.

O ponto central da preocupação hoje é que o comprometimento da renda das famílias alcançou 29%, nível historicamente elevado. Esse número, por si só, não é necessariamente um problema. A questão é que há uma concentração do endividamento nas linhas mais caras, como o rotativo do cartão de crédito e o cheque especial. Diante disso, a cúpula do Executivo começou a discutir medidas que poderiam ser adotadas para amenizar essa situação.

Uma das hipóteses levantadas foi a criação de um limite para os juros cobrados no crédito rotativo do cartão. A ideia não encontrou apoio majoritário entre os participantes desse encontro, nem mesmo do presidente Lula. Afinal, já se tentou, em outros momentos, adotar esse tipo de medida — e ficou claro que o efeito tende a ser negativo. Primeiro, porque não ajuda quem já está endividado: quem entrou no rotativo já arcou com as taxas mais elevadas.

Além disso, a medida poderia provocar uma redução relevante na oferta de cartões de crédito e de outras linhas. E, quando a oferta diminui, o crédito disponível tende a ficar mais caro. Assim, se a preocupação do governo, em um ano eleitoral, passa pelo receio de que esse quadro de endividamento gere uma percepção negativa sobre o momento econômico, contribuir para restringir o acesso ao crédito não parece uma boa solução. Como definiu um executivo do setor: se a intenção é fazer política, não basta retórica — é preciso aliviar o bolso das pessoas.

Os bancos, na prática, já vêm adotando uma postura mais seletiva na concessão de crédito. Trata-se de uma resposta natural a um cenário de custo de crédito e de captação mais elevados. E a frustração com o ritmo de corte de juros, diante da instabilidade trazida pela guerra no Oriente Médio, pode agravar esse quadro. Afinal, o que se observa hoje é uma redução da Selic em um ritmo mais gradual, ainda insuficiente para alterar de forma relevante as condições restritivas atuais.

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