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Campanha de Flávio Bolsonaro vê estrago com notícia falsa sobre Nossa Senhora e tenta conter danos

Boato virou munição de rivais e abriu disputa religiosa explorada inclusive por Alckmin e Janja

Portal SRN
Por: Portal SRN
26/09/2026 às 08h11
Campanha de Flávio Bolsonaro vê estrago com notícia falsa sobre Nossa Senhora e tenta conter danos
Foto: Reprodução

A campanha de Flávio Bolsonaro (PL) teve que correr para desmentir uma notícia falsa que viralizou nas redes sociais de que ele pretenderia, se eleito, tirar o título de Padroeira do Brasil de Nossa Senhora Aparecida.

A desinformação virou munição de rivais e abriu uma disputa religiosa com aliados de Lula (PT), explorada inclusive pelo vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB) e pela primeira-dama Janja.

Aliados de Flávio admitiram que ele sofreu um baque na internet, e a campanha decidiu ir ao TSE (Tribunal Superior Eleitoral).

O ministro André Mendonça determinou nesta sexta (25) a derrubada de publicações que tratem como verídica a notícia falsa e ordenou que as plataformas "atuem preventivamente contra a disseminação dos conteúdos" que tratam do tema, classificado por ele de "notoriamente inverídico".

Também disse que os provedores devem indisponibilizar imediatamente as publicações que reproduzam essa notícia falsa mesmo sem uma nova ordem judicial específica para isso.

Flávio gravou um vídeo ainda na noite de quinta-feira (24) e voltou ao assunto nesta sexta diante da repercussão na internet.

"Isso é uma grande mentira, não tem pé nem cabeça, não existe esse projeto", disse Flávio no vídeo gravado na quinta. Na manhã desta sexta, o senador afirmou que "isso é uma fake news e não existe absolutamente nada de concreto, nem projeto". "Jamais faria isso. Todos sabem que eu sou cristão, sou evangélico, mas que eu respeito todas as religiões."

Um projeto para retirar de Nossa Senhora Aparecida o título de Padroeira do Brasil foi apresentado em 2007 pelo então deputado federal Victorio Galli (MT), que foi assessor especial da Presidência da República no governo de Jair Bolsonaro (PL), e arquivado no ano seguinte.

A fake news ganhou tração depois que a jornalista Maria Cristina Fernandes, da GloboNews, apontou "um movimento na Igreja Católica de reação a uma parcela de evangélicos" que estaria tentando destituir Aparecida da condição de padroeira.

Horas depois, a GloboNews fez uma retratação e elucidou que a informação se baseava em um projeto de lei que, na verdade, foi arquivado quase 20 anos atrás.

Um trecho de um vídeo gravado por Flávio em 23 de agosto também passou a ser usado nas redes sociais para reforçar a tese de que o projeto seria retomado, em caso de vitória.

Na gravação, feita para justificar a decisão de faltar ao debate da TV Bandeirantes, Flávio dizia querer debater com quem não acreditava em Deus. "Quando eu for presidente, um dos meus primeiros atos será decretar que o Brasil é do Senhor Jesus Cristo", disse o candidato.

A notícia falsa sobre Nossa Senhora viralizou nas redes com impacto negativo para Flávio, segundo a Palver. Cerca de 37% das mensagens, de acordo com a empresa de tecnologia e inteligência, consideraram a narrativa como verdadeira, "mobilizando a indignação entre católicos e pedidos de voto contra Flávio".

Ainda de acordo com a Palver, o pico ocorreu nesta sexta, com 735 menções ao tema a cada 100 mil mensagens nas redes e 15 menções a cada 100 mil nos serviços de mensageria (WhatsApp e Telegram).

Diferentes imagens falsas e memes circulam pelas redes sociais. Em um deles, Lula aparece abraçando Nossa Senhora, enquanto Flávio surge em uma montagem em uma boate ao lado do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.

Fotos de Lula com a imagem da santa também viralizaram nas redes sociais. Há ainda mensagens de que Flávio pretende revogar feriados católicos. Em outra montagem, a frase "Ateus com Nossa Senhora de Aparecida" estampa uma camiseta.

A primeira-dama Janja publicou uma foto de Lula com uma imagem de Nossa Senhora Aparecida em mãos. Geraldo Alckmin afirmou em vídeo que ele e Lula protegem as religiões e que o país é capaz de "conservar pacificamente as tradições católicas".

O boato sobre Nossa Senhora também ajudou a inflar um movimento de rivalidade nas redes entre católicos e evangélicos. A conta na rede social X (antigo Twitter) da CNBB (Conferência Nacional dos Bispos do Brasil) foi hackeada nesta sexta, como mostrou a coluna Painel.

A invasão ocorre dois dias após a publicação de uma carta dos bispos dos estados de Roraima e Amazonas em que eles defendem, entre outros pontos, o voto em candidatos que se preocupam com a preservação do ambiente.

"Vote na pessoa que tem compromisso com o meio ambiente, com a Ecologia Integral; saiba cuidar, preservar a Amazônia com a sua beleza, seus povos e culturas", diz trecho da carta.

Apesar de classificarem a repercussão nas redes como bomba atômica, auxiliares de Flávio buscam minimizar o impacto nas intenções de voto —ainda que seja cedo para captar esse efeito nas pesquisas. Eles afirmam que a resposta rápida tem ajudado a esfriar o assunto e limitá-lo a uma fake news.

O candidato a vice-presidente na chapa do PL, deputado federal Alfredo Gaspar (AL), publicou um vídeo de Flávio na estátua de Padre Cícero, em Juazeiro do Norte (CE). "Nossa Senhora Aparecida é minha guia, tenho profunda devoção", escreveu.

A campanha também diz que o episódio pode acabar se voltando contra Lula, caso a pecha de espalhadores de fake news grude nos petistas da mesma forma que atingiu Jair Bolsonaro.

A campanha bolsonarista trata o caso como um ataque planejado pelo PT, seu principal adversário. Membros da equipe dizem que, na semana passada, já haviam identificado que cerca de 40 perfis tentaram viralizar a suspeita de que Flávio acabaria com o título de Padroeira do Brasil, sem sucesso.

Em 2018, circulou uma fake news no mesmo sentido contra Jair Bolsonaro, afirmando que ele queria trocar a imagem da Padroeira do Brasil e que assinou um projeto de lei para isso, o que foi desmentido pela imprensa na época.

Em sua decisão desta sexta no TSE, Mendonça estabeleceu uma multa de R$ 50 mil por dia por provedor em caso de descumprimento e disse que os provedores devem informar, em até 48 horas, quais foram as providências que tomaram e qual foi a quantidade de conteúdos derrubados. O ministro faz a ressalva de que a decisão não se aplica a posts jornalísticos ou destinados a desmentir a fake news.

Em outra frente, advogados da campanha que atuam na área criminal pediram que a Procuradoria-Geral Eleitoral abra um inquérito contra políticos e perfis de redes sociais que publicaram "informações sabidamente inverídicas" de que o candidato era favorável a derrubar o título de Nossa Senhora Aparecida.

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