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Dia do voluntariado: iniciativas levam saúde mental a vulneráveis

A distância ou nas ruas, psicólogos defendem ações coletivas

28/08/2026 às 09h37
Por: Portal SRN Fonte: Agência Brasil
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Imagem: Reprodução
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Terremoto, guerras, enchentes - diante de desastres pelo mundo, a psicóloga Esly Carvalho, que atua em Brasília e é especializada em atender pessoas que passaram por traumas, resolveu atuar como voluntária em causas humanitárias. No Dia Nacional do Voluntariado, comemorado nesta sexta-feira (28), ela e outros profissionais de saúde testemunham que doar o tempo transforma a vida dos outros e também de si mesmos, com resultados que inspiram o cotidiano.

Com 45 anos de experiência profissional, ela se disponibilizou a treinar equipes para lidar com pacientes em momentos de estresse pós-traumático.

“É possível a gente fazer intervenções em grupos e situações de desastres de forma eficaz”, afirma Esly. Ela defende uma terapia denominada EMDR, abordagem psicoterapêutica que desbloqueia memórias dolorosas  

Na Venezuela, onde mais de 6 mil pessoas morreram depois do terremoto em junho, a psicóloga desenvolveu um programa de intervenção para profissionais na diversidade. “Nós já formamos mais de 100 colegas nesse manejo, de forma que possam implementar o trabalho. E eles atenderam mais de 500 pessoas”. 

Ela, de forma online, e a equipe na Venezuela atendem todas as quintas-feiras. “Para quem vier, nós fazemos esses exercícios online gratuitamente”, diz.

Entre as profissionais que receberam orientação da psicóloga desde o dia seguinte ao terremoto, está a psicoterapeuta Deglya Flores, de 59 anos. Ela vive em Caracas e testemunha que ficou muito impactada pelas cenas que viu nas cidades mais atingidas. “Contactaram a mim e outras pessoas para nos oferecer ajuda”, recorda. O contato foi por videoconferência.

“O resultado foi maravilhoso porque muitos de nós estávamos altamente perturbados. Eu estava desesperada e angustiada pela magnitude do evento, da dor e da angústia nas pessoas”.

Na Venezuela, há segundo ela, apenas 17 terapeutas especialistas no tratamento de traumas. 

Com o atendimento, ela explica que o grupo venezuelano tem também atendido, a distância, pessoas vítimas do terremoto na Colômbia. O grupo tem atuado com profissionais de saúde mental e também voluntários em geral dispostos a fazer uma escuta, inclusive prestando serviços aos acampamentos em La Guaira (região mais atingida pelo desastre).

A psicóloga brasileira afirma que se sente bem em formar pessoas em locais de dificuldades porque o conhecimento se espalha. “O trabalho de voluntariado preenche um lugar muito especial no meu coração”.

Seis viraram sete mil

Outra iniciativa voluntária de apoiar a saúde mental nasceu de um grupo de seis amigos, em 2017, em São Paulo (SP). Saídos de crises de depressão, os rapazes resolveram amarrar mensagens por escrito em viadutos e pontes no centro da cidade, oferecendo ajuda a quem estava sofrendo. 

“Colocávamos nosso número de telefone e as pessoas entravam em contato”, lembra Felipe Santos, que hoje é o coordenador nacional do projeto Help.

Os seis amigos se transformaram em 7 mil voluntários em todos as unidades federativas do país.  A página no instagram tem 389 mil seguidores.

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