Moradores da localidade Sítio Novo, na zona rural de São Raimundo Nonato, no Sul do Piauí, ameaçam interditar a BR-324 caso o abastecimento de água da comunidade não seja normalizado. Segundo os moradores, o problema se arrasta há cerca de seis meses e, apesar de intervenções realizadas pela Águas do Piauí, o fornecimento chegou a ser restabelecido por apenas 24 horas.
A mobilização ocorre em meio ao avanço do período de estiagem no Estado. De acordo com relatos da comunidade, a situação tem provocado dificuldades para dezenas de famílias e afetado inclusive a frequência escolar das crianças.

Roberta Magalhães (Foto: Reprodução)
Segundo a missionária Roberta Magalhães, que acompanha os moradores, a comunidade está localizada a aproximadamente três quilômetros de poços utilizados para o abastecimento de São Raimundo Nonato. Ela afirma que, apesar da proximidade com uma área de grande disponibilidade de água, o recurso não chega regularmente ao Sítio Novo.
“Foi notificado hoje e o prazo é de 24 horas. Eles têm até amanhã às 10h para apresentar uma solução definitiva. Vencendo as 24h, a gente já faz no sábado”, afirmou Roberta em entrevista ao site OitoMeia.
A missionária também questionou a cobrança pelo serviço. Segundo ela, mesmo sem receber água há meses, moradores continuam sendo cobrados. Roberta relatou ter recebido uma fatura no valor de R$ 51 e afirmou que já havia solicitado o desligamento do serviço diante da ausência de abastecimento.
Ainda conforme o relato, caminhões-pipa abastecem frequentemente a região dos poços, enquanto a comunidade permanece sem fornecimento regular. A missionária afirma que existe rede de abastecimento instalada nas proximidades, mas a água não estaria chegando às residências.
A falta de água também teria provocado o deslocamento de moradores. De acordo com Roberta, duas famílias deixaram o Sítio Novo e passaram a morar no assentamento Serra dos Gringos, onde buscam abastecimento por meio da barragem Olinda. Ela ressalta, porém, que a água disponível no local não seria adequada para consumo.
Roberta também criticou a falta de apoio do poder público e de representantes políticos diante da situação. Segundo ela, os moradores aguardam há dias a chegada de um equipamento que teria sido anunciado como necessário para solucionar o problema.
“Já estamos chegando a 15 dias e nem esse equipamento nem essa parada programada foram realizados ainda”, relatou.
A crise de abastecimento também passou a interferir diretamente na rotina escolar das crianças da comunidade. Segundo a missionária, alguns alunos deixaram de frequentar as aulas porque as famílias não conseguem garantir condições básicas de higiene e lavar os uniformes.
A situação teria levado a Busca Ativa Escolar a procurar informações sobre as faltas dos estudantes. Roberta afirma, entretanto, que os motivos relacionados à falta de água não estariam sendo devidamente considerados.
“Crianças estão sem ir para escola porque não têm um uniforme limpo. A Busca Ativa liga querendo saber o paradeiro dessas crianças, só que não informam para a Secretaria que os pais não estão enviando porque não têm uniforme limpo, não têm como tomar banho”, afirmou.
Diante da demora na solução, moradores afirmam que poderão realizar uma manifestação e interditar a BR-324. A rodovia é uma das principais vias de acesso à região de São Raimundo Nonato e à Serra da Capivara, o que pode afetar o deslocamento de turistas durante o período de maior movimentação na região.
A comunidade estabeleceu prazo de 24 horas para que a empresa responsável pelo abastecimento apresente uma solução considerada definitiva. Caso não haja resposta dentro do prazo, os moradores afirmam que a paralisação poderá ocorrer neste sábado (15).
Até o momento, os relatos apresentados pela comunidade apontam que o problema permanece sem uma solução definitiva, mesmo após meses de reclamações e intervenções no sistema de abastecimento.
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