
O Banco Central divulgou o Relatório Focus, com dados coletados até 19 de junho. O levantamento, que reúne as projeções das principais instituições financeiras do país, indica uma piora nas expectativas para a inflação em 2026 e uma revisão para cima das estimativas para os juros básicos da economia.
O principal destaque é o IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo) –índice que mede a variação de preços de bens e serviços consumidos pelas famílias brasileiras– cuja projeção para 2026 subiu pela 15ª semana consecutiva. Passou de 5,30% na semana anterior para 5,33% na leitura atual. Há 4 semanas, a expectativa era de 5,04%.
Em linha com as projeções de inflação mais elevadas, os analistas também elevaram, pela 3ª semana seguida, a estimativa para a taxa Selic ao fim de 2026. A expectativa para os juros básicos da economia passou de 13,75% para 14,00% ao ano. Há um mês, o mercado projetava uma taxa de 13,25%.
A sequência de revisões para cima indica que os agentes financeiros têm esperado uma inflação mais persistente e mais distante da meta perseguida pela autoridade monetária. Em geral, expectativas desancoradas dificultam o trabalho da autoridade monetária e aumentam a percepção de que os juros precisarão permanecer elevados por mais tempo.
A manutenção de juros elevados tende a encarecer o crédito e desestimular o consumo e os investimentos, mas também é vista pelo mercado como um instrumento necessário para conter a inflação e ajudar a reconduzi-la à meta.