
Carlo Ancelotti chega à segunda rodada da Copa do Mundo com três dilemas centrais para resolver na seleção brasileira. Depois do decepcionante empate por 1 a 1 com Marrocos na estreia, o treinador sabe que precisa de uma vitória contra o Haiti, às 21h30 (de Brasília), para evitar que a pressão aumente ainda mais sobre sua equipe.
A atuação ruim no primeiro tempo da estreia e a melhora após as mudanças no intervalo reforçaram a percepção de que ajustes são necessários. O próprio Ancelotti admitiu após a partida que já tinha identificado os problemas e sabia o que precisava fazer para corrigi-los.
Desde antes do Mundial, o italiano vinha destacando que a dinâmica de uma seleção exige decisões mais rápidas do que no futebol de clubes. Sem meses para treinar e corrigir erros, a Copa do Mundo costuma exigir respostas imediatas.
O primeiro dilema está no meio-campo. Casemiro foi um dos jogadores mais criticados da estreia, mas também é um dos principais líderes do grupo. A questão para Ancelotti é decidir se vale a pena abrir mão da experiência e da liderança do volante para ganhar mais intensidade no setor.
Nos treinamentos, a principal sinalização foi a entrada de Fabinho entre os titulares. O jogador teve bom desempenho no segundo tempo contra Marrocos e surge como candidato natural à vaga.
O segundo ponto envolve o comando do ataque. Igor Thiago teve atuação discreta na estreia e pode perder espaço já na segunda partida. Ao mesmo tempo, uma substituição imediata pode afetar a confiança do atacante logo no início da competição.
Ancelotti precisa avaliar se mantém o centroavante para tentar recuperá-lo diante de um adversário teoricamente mais acessível ou se promove uma mudança em busca de uma resposta mais rápida da equipe.
A terceira dúvida é estrutural. O treinador precisa decidir se mantém um meio-campo com três jogadores do setor ou se retorna ao desenho com apenas dois homens centrais e mais um atacante aberto pela direita.
No treino da última quarta-feira, a formação indicou uma possível mudança. Fabinho e Bruno Guimarães apareceram como dupla de meio-campistas, enquanto Luiz Henrique ocupou o lado direito do ataque, posição que também poderia ser preenchida por Lucas Paquetá em uma configuração mais centralizada.
No treino de ontem, a equipe que foi montada enquanto a imprensa pôde acompanhar às atividades tinha a seguinte formação sem ninguém no gol: Danilo, Marquinhos, Léo Pereira e Douglas; Fabinho e Bruno Guimarães; Luiz Henrique, Martinelli, Vini e Igor Thiago.
É importante ponderar, no entanto, que Gabriel Magalhães e Raphinha têm trabalho de carga reduzida e podem estar sendo poupados para o jogo. Eles voltariam nos lugares de Léo Pereira e Martinelli. Já Casemiro e Paquetá não tiveram reportados nenhum desgaste e saíram dos testes entre os titulares por opção do comandante.