
Está acontecendo de novo. A sucessão de 2026 — como as de 2018 e de 2022 — se parece muito com uma feijoada rala. Com excesso de pesquisas, tem mais caldo do que feijão. Carne, nem pensar. Os candidatos gastam tempo e energia espinafrando um ao outro. Há uma inanição de ideias e projetos. De concreto, por enquanto, o que há além dos ataques, é o alto custo da campanha.
As eleições gerais deste ano custarão ao Tesouro Nacional R$ 4,9 bilhões. Dividindo-se a conta pela população, cada brasileiro entra com R$ 22,95. Parece pouco. Mas é dinheiro suficiente para comprar algo como 3,2 quilos de feijão preto. Em condições normais, o custo bilionário seria apenas vergonhoso. Numa era em que as campanhas digitais atenuam a necessidade de grandes comícios, a coisa tornou-se escabrosa.
O TSE divulgou nesta semana o rateio dos partidos. Nem todos lançaram candidatos ao Planalto. Donos das maiores bancadas no Congresso, o PL de Flávio Bolsonaro e o PT de Lula beliscaram as maiores cifras. O bolsonarismo vai às urnas com R$ 881,6 milhões. E sugere terceirizar o Brasil a Trump. Fugindo do mafioso Vorcaro, esconde-se atrás de cinco letras: "PCC e CV!". O petismo, com R$ 615,4 milhões, teve a campanha facilitada. Agora, só precisa esfregar três letras no nariz do rival: "Pix!".