
A escalada do preço do petróleo no mercado internacional chegou aos aeroportos brasileiros — e os passageiros já sentem o efeito. Segundo dados da ABEAR (Associação Brasileira das Empresas Aéreas) divulgados pela CNN Brasil, a alta do querosene de aviação (QAV) levou as companhias aéreas brasileiras a cancelar uma média de 121 voos por dia em maio — o equivalente a mais de 3.700 voos suspensos no mês. Em estimativa mais conservadora, o portal Aeroflap aponta 93 voos diários a menos na aviação comercial brasileira no mesmo período. Em ambos os cenários, o impacto é o mesmo: milhares de turistas frustrados, rotas regionais comprometidas e passagens cada vez mais caras para Latam, Gol e Azul.
Voos com menor demanda — especialmente rotas regionais e horários de baixa ocupação — estão sendo os primeiros cortados. Se você tem viagem marcada para uma capital de médio porte, verifique o status com a companhia. Passagens compradas com antecedência podem ser remarcadas sem custo em caso de cancelamento.
O querosene de aviação representa entre 30% e 40% do custo operacional de uma companhia aérea no Brasil — a maior fatia individual de despesa, à frente até de salários e leasing de aeronaves. Quando o barril de petróleo sobe nos mercados internacionais, o QAV refletido pela Petrobras sobe junto, com defasagem de poucas semanas. Companhias com margens apertadas — como é o caso das brasileiras nos últimos anos — não conseguem absorver o aumento e respondem com duas estratégias: cortar voos menos rentáveis e repassar o custo às passagens.
O resultado é a equação que os passageiros estão vivendo agora: menos voos disponíveis, menos opções de horário e tarifas mais altas para os assentos que sobram. Rotas regionais para capitais como Teresina, São Luís, Aracaju, João Pessoa e Maceió são as primeiras a serem comprimidas, porque têm ocupação média menor que rotas entre Guarulhos, Galeão e Confins.
A alta do querosene de aviação no Brasil é apenas a ponta da cadeia. O movimento começa nos países produtores de petróleo, especialmente no Oriente Médio e na Rússia, e se espalha pelos refinadores. Companhias aéreas dos Estados Unidos, da Europa e da Ásia já enfrentam o mesmo problema — algumas com cancelamentos em escala maior. A diferença é que o Brasil, dependente da Petrobras como principal fornecedora de QAV, tem menos margem para negociar preços alternativos no mercado internacional.