
O governo brasileiro reagiu nesta quarta-feira (22) à decisão dos Estados Unidosde determinar a saída do oficial de ligação da PF (Polícia Federal) em Miami que atuava junto ao ICE (Serviço de Imigração e Alfândega) do país. Em publicação nas redes sociais, o Itamaraty informou que adotou a medida de reciprocidade ao agente americano que estava no país.
No comunicado, o Ministério das Relações Exteriores afirmou que a medida adotada pelos EUA viola o memorando de entendimento firmado entre os dois países para cooperação na área de segurança. E reformou que o delegado Marcelo Ivo Carvalho atuava com base no acordo bilateral que prevê o intercâmbio de oficiais de ligação.
Na segunda-feira (20), o Gabinete de Assuntos do Hemisfério Ocidental dos Estados Unidos publicou nas redes sociais que havia pedido que o delegado Marcelo Ivo deixasse o país após ter feito o monitoramento que levou à prisão do ex-deputado federal Alexandre Ramagem no país.
"Nenhum estrangeiro pode manipular nosso sistema de imigração para contornar pedidos formais de extradição e estender perseguições políticas ao território dos Estados Unidos. Hoje, pedimos que o funcionário brasileiro em questão deixe o país por tentar fazer isso", diz o texto.
Na nota divulgada hoje, o governo brasileiro sustenta que a decisão americana foi sumária e não seguiu o procedimento previsto, que inclui pedido prévio de esclarecimentos e tentativa de diálogo, conforme o parágrafo 7.3 do memorando.
No comunicado, o Itamaraty informou que Brasil decidiu aplicar o princípio da reciprocidade e comunicou à embaixada dos Estados Unidos que irá interromper as funções de um representante americano em área equivalente no país.
O Ministério das Relações Exteriores também afirma que a medida adotada pelos Estados Unidos não respeita a prática diplomática de diálogo entre os dois países, que mantêm relações há mais de 200 anos.