
O ministro Nunes Marques, do Supremo Tribunal Federal (STF), deve ser eleito nesta terça-feira presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e chegar ao comando da Corte prometendo uma gestão marcada pela discrição, votos previsíveis em temas sensíveis e uma aposta declarada na redução da tensão política em ano eleitoral.
A escolha no TSE é protocolar, seguindo o critério de antiguidade entre os ministros do STF indicados para a Corte, e ocorre após o anúncio de saída antecipada de Cármen Lúcia da presidência do tribunal. Com isso, caberá a Nunes Marques conduzir toda a organização das eleições de 2026, da regulamentação das campanhas ao julgamento de disputas envolvendo candidaturas e partidos.
Nos bastidores, a avaliação de interlocutores do tribunal é de que o ministro chega ao posto com uma marca distinta de seus antecessores recentes, menos afeito ao protagonismo público, mas com capacidade de articulação longe dos holofotes. A leitura é de que Nunes Marques mantém perfil de "baixa fricção", compondo internamente com diferentes alas da Corte e evitando embates públicos diretos.
A avaliação é compartilhada dentro do próprio tribunal. O ministro André Mendonça, que deve assumir a vice-presidência do TSE, já afirmou publicamente que a futura cúpula terá um "perfil discreto", com atuação voltada à "imparcialidade" e à busca de estabilidade no processo eleitoral.
— O TSE será presidido pelo ministro Kássio, terá eu como vice-presidente nas eleições, terceiro membro do Supremo ministro Dias Toffoli, já com experiência de TSE. Ministro Kássio e eu com perfil discreto, então vamos esperar a discrição, imparcialidade, fundamentação dessas decisões, ouvir as partes de todos os lados —, afirmou Mendonça em um evento no final de 2025.
Natural de Teresina, Nunes Marques construiu a carreira fora dos grandes centros jurídicos. Foi advogado, juiz eleitoral no Piauí e desembargador do Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF-1) antes de ser indicado ao STF em 2020 pelo então presidente Jair Bolsonaro (PL), na vaga aberta com a aposentadoria do ministro Celso de Mello.
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