
A fantasia de "neoconservadores em conserva", usada por uma ala da Acadêmicos de Niterói, foi classificada como um excesso pelo pastor batista Oliver Costa Goiano, que é coordenador nacional do núcleo de evangélicos do PT.
Ele afirmou, no entanto, que não vê risco ao desempenho eleitoral do PT entre os grupos evangélicos; segundo o pastor, eles não definem voto pelo Carnaval, já que não assistem aos desfiles.
Fantasia criticada
A ala foi uma das mais criticadas por políticos bolsonaristas. Segundo a escola, a fantasia representa "a dita família tradicional". Casado com uma mulher e pai de três filhos, Goiano diz ter ficado incomodado com a fantasia. Ele afirma que entendeu o recado que a agremiação tentou passar: "Não existem apenas famílias como a minha, mas também formadas por irmãs, amigos".
O evangélico não vai definir seu voto pelo Carnaval, porque entende que essa festa não diz respeito aos evangélicos. O evangélico e Carnaval não se misturam. Essa fantasia é uma visão do mundo cultural em geral, do mundo do Carnaval e, de uma forma particular, do mundo da Acadêmicos de Niterói em relação à família que é conservadora. É a visão dela, não tem nada a ver com o Partido dos Trabalhadores.
Evangélicos genuínos não vão definir seu voto pelo que estão assistindo no Carnaval, porque eles não acompanham. Mesmo sendo um pastor do PT continuo sendo conservador nesse sentido. Entendo que é uma festa cultural, que as pessoas têm direito de manifestar sua alegria, a maneira como veem a vida, mas [não participo] como evangélico, devido à prática de nudez que muitas vezes acontece, a bebedeira. Nesse sentido, sou um evangélico típico.
O fato de uma escola, numa última ala, fazer algo que realmente incomodou famílias conservadoras, inclusive como a minha, não tem nada a ver com o Partido dos Trabalhadores. Então, não acredito que isso vá prejudicar o diálogo da esquerda ou do governo Lula com os evangélicos, porque evangélicos não acompanham o Carnaval e não fazem o seu voto a partir do Carnaval.
Para o pastor, a preocupação da igreja evangélica não deve ser com a festa popular, mas com o que chamou de excessos que ocorrem em eventos como a Marcha para Jesus. Goiano diz que as pessoas que celebram o Carnaval não "interpretam a Bíblia como um evangélico" e, por isso, segundo ele, terão atitudes divergentes dos cristãos.
Não estou preocupado com o Carnaval. A igreja não tem que estar preocupada com o Carnaval, porque a maioria das pessoas que estão ali não conhecem ou têm uma visão de Deus e da Bíblia como o evangélico tem. A Bíblia diz que nós devemos olhar para o nosso arraial, para a nossa bolha, e pensar: 'O que está acontecendo nas Marchas para Jesus?'.
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