
O Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) divulgou a atualização semestral do Cadastro de Empregadores responsabilizados por manter trabalhadores em condições análogas à escravidão, conhecido como “lista suja”. Na nova relação, 17 empregadores do Piauí foram incluídos, totalizando 170 pessoas submetidas a situações degradantes, sobretudo em pedreiras e fazendas nas zonas rurais do estado.
Em âmbito nacional, a lista atualizada registrou 159 empregadores, sendo 101 pessoas físicas e 58 jurídicas, representando um aumento de 20% em relação à publicação anterior. Entre os estados com os maiores índices de inclusão estão Minas Gerais (33), São Paulo (19), Mato Grosso (13) e Bahia (12). As atividades econômicas mais associadas às irregularidades envolvem criação de bovinos para corte (20 casos), serviços domésticos (15), cultivo de café (9) e construção civil (8).
Embora a exploração rural seja predominante, 16% das ocorrências no país estão vinculadas ao meio urbano. Em Teresina, por exemplo, houve registro oficial de um empregador incluído pela fiscalização. Os casos piauienses identificados ocorreram entre 2015 e 2020, refletindo investigações em múltiplas frentes de inspeção.
Quando flagradas situações análogas à escravidão, equipes do MTE lavram autos de infração referentes a cada irregularidade trabalhista encontrada, além de um auto específico que caracteriza a submissão dos trabalhadores. As violações registradas vão desde condições degradantes de alojamento e alimentação até jornadas exaustivas, servidão por dívidas e ausência de direitos básicos.
A divulgação pública da lista é considerada pelo Ministério uma ferramenta de transparência e combate ao trabalho escravo moderno, impactando o acesso dos empregadores a crédito bancário e incentivos estatais. A atualização anterior havia sido publicada em abril, quando o Piauí contava com 32 estabelecimentos listados; agora, o número diminuiu quase pela metade, em muitos casos devido à prescrição processual ou ao cumprimento legal de critérios para exclusão.
Entre os piauienses citados, constam empresas ligadas à construção civil, extração mineral e produção agropecuária. As operações de fiscalização foram conduzidas em municípios como Jerumenha, Regeneração, Altos, Piripiri, Batalha, Currais, Cajueiro da Praia e Amarante.
A lista completa permanece disponível para consulta pública pelo MTE, permitindo que órgãos de controle, instituições financeiras e a própria sociedade acompanhem os resultados das ações de fiscalização e denunciantes.
Empregadores piauienses inclusos na lista suja do MTE:
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