
O próximo domingo (19) marca oficialmente o Dia do Piauí, data em que o Governo do Estado prepara eventos, distribui bandeiras e exalta símbolos da identidade piauiense. No entanto, em São Raimundo Nonato e região, o sentimento é de indignação — não há o que comemorar quando a população sofre diariamente com a falta de um bem essencial: a água.
Em meio aos anúncios festivos, a vida real nos povoados e comunidades rurais da região é marcada por caminhões-pipa insuficientes, torneiras secas e promessas políticas que se repetem a cada eleição. O governo exibe o Parque Nacional Serra da Capivara como cartão-postal de orgulho piauiense, mas ignora que boa parte dos moradores do território da Serra da Capivara vive uma rotina de escassez e descaso.
Enquanto o poder público organiza solenidades e discursos sobre o “progresso do estado”, o povo segue enfrentando a sede. Os investimentos que deveriam garantir o abastecimento hídrico se perdem em anúncios, planos e fotografias de campanhas.
Nas redes sociais, políticos já antecipam promessas de soluções milagrosas para 2026, mas a população — calejada — sabe que dificilmente o problema será resolvido. Em contraste, o governo federal anuncia a necessidade de um socorro bilionário aos Correios, com empréstimos de R$ 10 bilhões em 2025 e mais R$ 10 bilhões em 2026. Diante desse cenário, fica a pergunta: se falta dinheiro até para manter uma estatal funcionando, como esperar investimentos reais em infraestrutura hídrica para São Raimundo Nonato?
Neste Dia do Piauí, o povo da Serra da Capivara não pede bandeiras, shows ou discursos. Pede apenas o básico: água nas torneiras e respeito à sua dignidade.