
O Governo do Estado do Piauí anunciou em seu site oficial que destinou mais de R$ 500 milhões em obras e ações para o enfrentamento da estiagem no período de 2023 a 2025. O valor, segundo a gestão estadual, integra a segunda etapa da chamada Operação Água e Vida, que promete garantir segurança hídrica a municípios atingidos pela seca.
No entanto, a realidade vivida por milhares de piauienses contrasta fortemente com os números apresentados. Em cidades do semiárido, moradores ainda precisam recorrer à compra de água, muitas vezes com parte da aposentadoria, ou depender de caminhões-pipa irregulares e insuficientes. O discurso oficial de milhões investidos não se traduz, de fato, em água nas torneiras.
Atualmente, 126 municípios do estado estão em situação de emergência reconhecida pelo governo federal, e, de acordo com o Monitor de Secas, 75 enfrentam condições de seca extrema. Esse cenário levanta questionamentos sobre a real efetividade das ações governamentais.

O governo cita a instalação de 84 sistemas de dessalinização, que supostamente garantem 179.967 litros de água por dia para quase 15 mil pessoas, com previsão de expansão para 103 sistemas. Também destaca a construção de cisternas e o repasse do Garantia Safra. No entanto, a dimensão do problema — que afeta milhões de piauienses — expõe que tais medidas ainda são insuficientes diante da gravidade da crise hídrica.
Enquanto a propaganda oficial insiste em exibir cifras milionárias, a população continua sem acesso ao básico: água potável para beber, cozinhar e sobreviver. A pergunta que ecoa em várias localidades é direta: onde está a água prometida?
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