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IBGE revela: 10 mil domicílios no Piauí não possuem energia elétrica

A pesquisa detalha ainda que, enquanto a zona urbana alcança 99,4% de cobertura, a zona rural fica em 98,6%

28/08/2025 às 07h17 Atualizada em 28/08/2025 às 10h48
Por: Portal SRN Fonte: Cidadeverde.com
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Crédito: imagem feita com IA
Crédito: imagem feita com IA

Em um estado que se tornou um verdadeiro celeiro de ventos e sol para o Brasil, uma potência na geração de energia limpa, soa quase inacreditável que a escuridão ainda seja uma realidade diária para milhares de famílias. Como é possível que a terra que exporta gigawatts de energia renovável ainda tenha piauienses vivendo à luz de lamparinas? Uma pesquisa recém-divulgada pelo IBGE nos convida a mergulhar nesse paradoxo, revelando que, em 2024, cerca de 10 mil domicílios no Piauí ainda não têm acesso à energia elétrica, uma realidade que desafia nossa percepção de progresso e modernidade.

Os números da PNAD Contínua pintam um retrato de luz e sombra. À primeira vista, o quadro é positivo: dos 1.146.000 domicílios piauienses, 99,2% possuem abastecimento de energia. Este é um avanço notável e fruto de décadas de investimento. No entanto, quando olhamos para o 0,8% restante, a estatística fria se transforma em uma questão humana e social. São exatamente 10 mil lares, 10 mil famílias que vivem à margem de um serviço essencial para a educação, a saúde, a segurança e o desenvolvimento econômico. A pesquisa detalha ainda que, enquanto a zona urbana alcança 99,4% de cobertura, a zona rural fica em 98,6%, evidenciando que o desafio se concentra nas áreas mais remotas.

Essa diferença entre o campo e a cidade expõe o grande desafio da "última milha". Podemos imaginar a rede elétrica como um sistema de estradas. As grandes linhas de transmissão são as autoestradas, que transportam enormes volumes de energia de forma eficiente por longas distâncias. Já as redes de distribuição são as estradas vicinais, que precisam chegar a cada casa. Levar essas "estradas vicinais" a comunidades isoladas, onde poucas famílias vivem distantes umas das outras, tem um custo elevadíssimo para a concessionária, tornando a expansão da rede convencional economicamente inviável em muitos casos. É por isso que, mesmo com o estado gerando mais energia do que nunca, conectar esses últimos pontos continua sendo uma tarefa complexa.

É aqui que reside uma das grandes oportunidades disfarçadas de desafio. O mesmo levantamento do IBGE nos dá uma pista valiosa: cerca de 3.000 domicílios no Piauí já possuem energia de fontes independentes, como sistemas solares isolados (off-grid), biomassa ou geradores. Isso demonstra que a solução para universalizar o acesso não reside unicamente em esticar quilômetros e quilômetros de cabos da rede tradicional. A resposta pode estar na geração distribuída, ou seja, produzir a energia exatamente onde ela será consumida. Para um estado banhado pelo sol como o Piauí, essa alternativa não é apenas viável; é a mais inteligente.

A tecnologia para isso já existe e está cada vez mais acessível. Pequenos sistemas fotovoltaicos, compostos por algumas placas solares e baterias, podem garantir iluminação, o funcionamento de uma geladeira e o carregamento de um celular, transformando radicalmente a qualidade de vida em uma comunidade isolada. Programas de universalização podem ser modernizados para incorporar essas soluções descentralizadas, que são mais rápidas de instalar, ambientalmente corretas e, a longo prazo, mais sustentáveis para atender a populações dispersas. O Piauí tem a chance de se tornar um modelo para o Brasil, utilizando sua maior vocação – o sol – para resolver uma de suas dívidas sociais mais persistentes.

O número de 10 mil lares sem energia não deve ser visto como um fracasso, mas como um chamado à ação e à inovação. Atingir a marca de 100% de cobertura é perfeitamente possível, mas exigirá uma mudança de estratégia, combinando a expansão da rede convencional onde for viável com o fomento massivo de sistemas de geração isolada. O Piauí já provou ao país sua capacidade de gerar energia limpa em larga escala. O próximo passo, e talvez o mais significativo, é garantir que a mesma energia que move o futuro do país também ilumine o presente e as oportunidades de cada piauiense, não importa quão longe ele viva.

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