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STF decide nesta quarta se torna Bolsonaro réu por tentativa de golpe

Colegiado da 1ª Turma termina de analisar as acusações contra o 1º núcleo da denúncia em 2º dia de sessões

Portal SRN
Por: Portal SRN Fonte: Poder 360
26/03/2025 às 07h33 Atualizada em 26/03/2025 às 18h33
STF decide nesta quarta se torna Bolsonaro réu por tentativa de golpe
Imagem: Reprodução

A Primeira Turma do STF (Supremo Tribunal Federal) termina de julgar nesta quarta-feira (26) o recebimento da denúncia contra o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e outras sete pessoas por uma tentativa de golpe de Estado em 2022.

Os 5 ministros do colegiado entram no segundo dia de análise dos argumentos preliminares das defesas sobre o recebimento da denúncia da PGR (Procuradoria Geral da República). Precisam decidir se há indícios de crime fortes o suficiente para justificar o início de uma ação penal contra o grupo. A decisão poderá transformar os acusados em réus por tentar impedir a posse do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

O presidente da Primeira Turma, Cristiano Zanin, designou três sessões extraordinárias para apreciar a denúncia: duas já ocorreram na terça-feira (25), às 9h30 e às 14h. A última será nesta quarta-feira (26), às 9h30.

O julgamento se refere só ao primeiro dos quatro grupos de denunciados. Trata-se do núcleo central da organização criminosa, do qual, segundo as investigações, partiam as principais decisões e ações de impacto social. Estão neste grupo:

  • Jair Bolsonaro (PL), ex-presidente da República;
  • Alexandre Ramagem, ex-diretor-geral da Abin (Agência Brasileira de Inteligência);
  • Almir Garnier, ex-comandante da Marinha;
  • Anderson Torres, ex-ministro da Justiça;
  • Augusto Heleno, ex-ministro do GSI (Gabinete de Segurança Institucional);
  • Mauro Cid, ex-ajudante de ordens de Bolsonaro;
  • Paulo Sérgio Nogueira, ex-ministro da Defesa; e
  • Braga Netto, ex-ministro da Casa Civil e candidato a vice-presidente em 2022.

Pelo regimento interno da Corte, as ações penais que começam diretamente do STF, sem passar por outras instâncias antes, são de competência das turmas julgar. Esse entendimento é fruto de uma mudança de 2023, proposta pelo presidente do Supremo, ministro Roberto Barroso. Antes, a competência era do plenário.

À época, Barroso considerou que a quantidade de processos originados pelos ataques de 8 de Janeiro iriam sobrecarregar o plenário. A transferência para as turmas teria o objetivo de tornar mais eficiente a distribuição de processos criminais, com resultados mais rápidos. O caso está na Primeira Turma, porque Moraes, que integra o colegiado, é o relator da ação.

As defesas fizeram pedidos preliminares para que o processo fosse levado ao plenário da Corte, onde mais ministros poderiam julgar o caso.

JULGAMENTO

Antes do início da sessão na 3ª feira (25.mar), congressistas da oposição se reuniram em frente ao prédio da Primeira Turma. Eles queriam entrar para assistir à sessão, mas inicialmente foram barrados, em razão da superlotação. Era preciso se credenciar. Depois, o STF acomodou os deputados na Segunda Turma.

O advogado de um dos acusados, Filipe Martins, que não faz parte do núcleo analisado nesta terça-feira (25), compareceu ao local e causou um tumulto pelo mesmo motivo. A sessão já tinha sido iniciada quando Sebastião Coelho apareceu e chamou os ministros de “sanguinários”. Ele foi detido pela Polícia Judicial e retirado do local.

A sessão contou com a leitura do relatório pelo ministro Alexandre de Moraes, que iniciou a fala reafirmando o tipo criminal em que a denúncia se enquadra –a tentativa de golpe de Estado –, que não exige que o fato seja consumado para ser caracterizado.

Depois da leitura do relatório e antes do início das sustentações, o advogado do ex-presidente pediu para que a defesa do tenente-coronel Mauro Cid falasse antes dos demais. A delação do ex-ajudante de ordens de Bolsonaro é uma das principais provas que embasam a denúncia da PGR (Procuradoria Geral da República).

O pedido, no entanto, foi negado por unanimidade pelo colegiado. Os ministros entenderam que não havia justificativa legal para mudar a ordem estabelecida anteriormente.

Em seguida, começaram as sustentações orais. O primeiro a falar foi o procurador-geral da República, Paulo Gonet, que defendeu o recebimento da denúncia e o papel de Bolsonaro e Braga Netto como líderes da organização criminosa.

Além de Gonet, os advogados de defesa dos 8 acusados também fizeram sustentações orais. Apresentaram as alegações iniciais em relação ao processo. Pediram, por exemplo, que o julgamento fosse feito pelo plenário do STF, ou que, em alguns casos fossem levados para outras instâncias.

A defesa de Bolsonaro teve como foco questionar a validade da delação do tenente-coronel Mauro Cid. Afirmou que o depoimento “não vale nada” e que “nem o delator que o acusou fez qualquer relação dele com o 8 de Janeiro”. Também alegou cerceamento da defesa, por falta de acesso à totalidade de provas.

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