Saúde Saúde
Calor mata mais por doenças respiratórias do que frio, indica estudo
Pesquisa analisou mais de 1 milhão de mortes e estima cerca de 66.000 por condições respiratórias associadas ao calor
02/11/2026 20h02
Por: Portal SRN Fonte: Poder 360
Foto: Reprodução

A cada ano, cerca de 6.000 brasileiros morrem por doenças respiratórias associadas à temperaturas extremas. Ao contrário do que o senso comum imagina, o maior responsável não é o frio, mas o calor. A conclusão é de um estudo realizado por pesquisadores da Universidade Estadual de Campinas, publicado na revista PLOS Climate.

A equipe analisou mais de 1 milhão de óbitos registrados de 2010 a 2020 em 646 municípios brasileiros. Ao todo, os pesquisadores estimam que cerca de 66.000 mortes por doenças respiratórias registradas no período estiveram associadas a temperaturas fora da faixa considerada de menor risco para a população brasileira, de 22,4 °C. Desse total, 4,27% foram atribuídas ao calor e 1,81% ao frio.

Embora não seja possível dizer que o calor causou diretamente essas mortes, sabe-se que temperaturas altas afetam o sistema respiratório de diferentes maneiras. A desidratação resseca as vias aéreas e torna a secreção pulmonar mais espessa, dificultando sua eliminação. Isso aumenta a irritação das vias respiratórias e favorece infecções e crises de doenças como asma e DPOC, a doença pulmonar obstrutiva crônica. 

Continua após a publicidade

“Além disso, respiramos mais rapidamente para dissipar calor, o que aumenta o esforço do sistema respiratório”, diz o pneumologista Humberto Bogossian, do Einstein Hospital Israelita.

Outros fatores típicos dos períodos mais quentes potencializam esse risco, como a baixa umidade do ar, a poluição atmosférica, as queimadas e o aumento da concentração de ozônio. “As cidades também vêm perdendo áreas verdes e acumulando mais superfícies impermeáveis, formando ilhas de calor que agravam ainda mais esse cenário”, afirma Bogossian.

A predominância do calor surpreende porque contraria décadas de estudos produzidos principalmente na Europa e nos Estados Unidos, onde o frio costuma ser o principal fator climático associado à mortalidade respiratória. “A gente importou essa expectativa, mas ela foi medida pelo clima deles. No Brasil, a história muda”, declara o pesquisador e médico de família Guilherme Coelho, 1º autor da pesquisa.