Brasil Brasil
BC prepara mais regras contra superendividamento até o fim de 2026
Relatório aponta que só 7,6% do consignado privado foi usado para trocar dívida cara; 20,3 milhões de devedores estão em risco
28/10/2026 08h14
Por: Portal SRN
Foto: Reprodução

O BC (Banco Central) afirmou nesta 3ª feira (27.out.2026) que publicará normas para restringir a oferta de crédito sem garantia ainda em 2026.

O anúncio foi na coletiva do REF (Relatório de Estabilidade Financeira) referente ao 1º semestre de 2026, que mostrou que apenas 7,6% do valor médio contratado no Crédito do Trabalhador foi usado para reduzir saldos em linhas mais caras.

O Crédito do Trabalhador é o novo consignado privado, criado pela Lei 15.179 de 2025 para baratear o crédito a trabalhadores formais. Segundo o BC, os recursos foram usados principalmente para assumir novo compromisso.

Continua após a publicidade

Medidas que estão em análise:

DADOS DO CONSIGNADO PRIVADO

De acordo com o REF, o desempenho da modalidade foi:

7,6% do valor médio contratado foi destinado a reduzir saldos de linhas de maior custo, como cartão de crédito e crédito pessoal não consignado;
14% dos tomadores usaram mais de 80% do montante obtido para quitar débitos anteriores;
a inadimplência passou a crescer a partir do 5º mês após a concessão e ultrapassou a do crédito pessoal sem garantia.
O BC também apontou dificuldades operacionais no desconto em folha:

39% do saldo não pago (R$ 2,4 bilhões) pertence a trabalhadores que mudaram de emprego;
19% (R$ 1,1 bilhão) pertence a tomadores que não haviam sido desligados do emprego.
DEVEDORES DE RISCO

O número de devedores em situação de risco chegou a 20,3 milhões em junho de 2026, segundo o BC. O contingente equivale a 17% dos devedores do SFN (Sistema Financeiro Nacional).

O total representa alta de 75% ante junho de 2021. O comprometimento de renda individual das famílias atingiu o maior nível da série histórica no 1º semestre de 2026, conforme o relatório.

A pressão é maior sobre trabalhadores com renda de até 2 salários mínimos, que dependem mais de cartão de crédito e de crédito não consignado.

MEDIDAS TOMADAS

A diretoria do BC disse que o aumento da digitalização dos serviços financeiros ampliou a exposição de clientes de menor renda a contratações inadequadas.

Na semana anterior, a autoridade monetária já havia editado 3 normas que proíbem instituições financeiras de fazer ofertas ativas de crédito, sobretudo em canais digitais, a clientes no rotativo do cartão ou em atraso relevante.

O presidente da entidade, Gabriel Galípolo, afirmou que a autoridade monetária examinou experiências internacionais para conter modalidades de crédito que crescem de forma “pouco sensível ao preço”.

O diretor de Fiscalização, Ailton de Aquino, confirmou que as novas medidas serão anunciadas ainda em 2026.