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Empresas falam em banco de horas e demissões com o fim da escala 6x1
Senado manteve a proposta aprovada na Câmara e decidiu que a escala de 6x1 deixará de existir 60 dias após a promulgação da PEC.
15/10/2026 07h24
Por: Portal SRN Fonte: Uol
Imagem: Reuters

Empresas de diversos segmentos dizem que adotarão diferentes medidas para se adaptar ao fim da escala 6x1. O UOL conversou com diversos setores assim que a PEC aprovada na Câmara foi enviada para o Senado. Categorias como comércio, indústria, saúde, turismo e eventos afirmam considerar insuficientes os 60 dias para o início da transição. O curto espaço de tempo forçará, segundo eles, a adoção de medidas como aumento da rotatividade de funcionários, uso intensivo de banco de horas, contratação de trabalho intermitente e investimento em automação.

Senado manteve a proposta aprovada na Câmara e decidiu que a escala de 6x1 deixará de existir 60 dias após a promulgação da PEC. É quando começam a valer os dois dias de descanso por semana e a queda da jornada máxima de 44 para 42 horas semanais, sem redução de salário. A redução para 40 horas semanais será concluída um ano depois. Esse ritmo de mudança aprovado pelo Congresso contrasta com o de países da América Latina e da Europa, onde a transição para jornadas menores levou até cinco anos.

Uma das primeiras medidas da indústria será adotar banco de horas para evitar pagar hora extra. O aumento das horas trabalhadas seria a solução diante da falta de mão de obra qualificada para ocupar o turno extra, diz José Velloso, presidente da Abimaq (Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos). O banco, porém, só vai adiar o problema. "A gente procura evitar pagar hora extra (...) só que, quando termina o ano, você tem um saldo que o empresário tem de pagar. O banco vai resolver agora, mas joga o problema lá pra frente", diz Velloso.

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Sem mão de obra qualificada, a indústria deverá trocar humanos por máquinas no longo prazo. O setor avalia que o fim da 6x1 forçará os empresários a investir em modernização para depender menos de contratações. "A PEC tem um lado positivo, que é obrigar o empresário a buscar automação, ainda muito baixa no Brasil", diz Velloso. Ele alerta, porém, que atrasos na entrega de equipamentos já contratados serão inevitáveis devido à escassez de trabalhadores treinados.

A estratégia do comércio será aumentar a rotatividade dos trabalhadores. "O que pode acontecer é desligar funcionários com mais tempo de casa, com salário maior, e contratar um profissional menos experiente com salário menor", alerta Karina Negreli, assessora jurídica da Fecomercio-SP (Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo). Do contrário, o setor pode reduzir o horário de funcionamento das lojas.

O repasse de custos ao consumidor seria inevitável, gerando inflação. "Se a gente fala em aumento de 10% de custo de mão de obra [com o fim da 6x1], o aumento de preço pode ser em torno disso, mas nem tudo será repassado para manter um mínimo de atividade", acredita Negreli.

O turismo aposta no aumento do trabalho intermitente e da informalidade, chamada de "pejotização". A federação orienta os pequenos empresários a não contratarem trabalhadores como Pessoa Jurídica (PJ) para não burlar as regras trabalhistas, mas admite que a prática tende a crescer. "Acho que haverá uma pejotização. Ela já é um viés aceito pelo Supremo Tribunal Federal", projeta Alexandre Sampaio de Abreu, presidente da FBHA (Federação Brasileira de Hospedagem e Alimentação).