Brasil Consumidor
Conta de luz mais cara puxa maior prévia da inflação de setembro desde 2021
As tarifas de energia elétrica residencial guiaram a alta.
25/09/2026 11h00
Por: Portal SRN Fonte: Uol
Contas de luz saltam 7,4% com reposição do “Bônus de Itaipu” Imagem: Nando Vidal/Getty Images/iStockphoto

Após a deflação de agosto, a prévia da inflação do Brasil ganhou força e foi de 0,7% em setembro, mostram dados divulgados hoje pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). Mesmo com a aceleração, o IPCA-15 (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo 15) permanece dentro do teto da meta no acumulado em 12 meses.

Como foi o IPCA-15

Prévia da inflação é a maior para setembro desde 2021 (+1,14%). A variação de 0,7% supera as expectativas do mercado financeiro (+0,53%) e recompõe a deflação de 0,4% registrada em agosto. Em setembro do ano passado, a prévia da inflação foi de 0,48%.

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IPCA-15 acumulado nos últimos 12 meses subiu para 4,47%. Com o avanço de setembro, o índice anual voltou a ganhar ritmo em relação ao resultado de agosto (+4,24%). No ano passado, a prévia da inflação acumulada até setembro era de 5,32%. Nos nove primeiros meses deste ano, a variação é de 3,82%.

Variação mantém o indicador dentro de tolerância da meta. Mesmo com a aceleração da alta acumulada em 12 meses, o IPCA-15 acumulado permanece no limite da margem de tolerância de 1,5 ponto percentual para a meta definida pelo CMN (Conselho Monetário Nacional) em 3% (de 1,5% a 4,5%).

Contas de luz mais caras

As tarifas de energia elétrica residencial guiaram a alta. Sem os descontos concedidos pelo "Bônus de Itaipu", que abateu R$ 872,1 milhões nas contas de 83,8 milhões de consumidores em agosto, a prévia da inflação mostra que as contas de luz deste mês ficaram 7,42% mais caras, após recuarem 6,25% no mês passado.

Bandeira tarifária amarela manteve peso aos consumidores. A Aneel (Agência Nacional de Energia Elétrica) optou pela manutenção da cobrança adicional de R$ 1,885 nas contas a cada 100 kWh consumidos. A reguladora justifica que a escassez hídrica ainda exige o acionamento das usinas termelétricas, que geram energia com um custo maior do que o das hidrelétricas.

Preço dos alimentos sobe

Alimentos e bebidas têm a primeira inflação desde junho. O aumento de 0,4% do grupo de despesas reverte a trajetória de deflações registradas em julho (-0,66%) e agosto (-0,57%). A alta deste mês foi impulsionada pela alimentação dentro de casa, que subiu para 0,38% após recuar 0,97% em agosto.

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Produtos consumidos no dia a dia tiveram altas expressivas. Os destaques para o mês ficaram por conta do tomate (+20,76%), do arroz (+2,39%) e das carnes (+1,3%). No lado das quedas, destacam-se o feijão carioca (-6,33%), a cebola (-4,41%) e o café moído (-1,36%).

Inflação para quem come for de casa também ganhou força. Os preços subgrupo de alimentação fora do domicílio aumentaram 0,38% neste mês, ante alta de 0,25% apurada em agosto. A variação é resultado da oscilação da refeição (de 0,25% para 0,38%). O lanche, por sua vez, subiu em menor intensidade (de 0,75% para 0,44%).

Veja a variação de cada grupo:

  • Habitação: -2,07%
  • Despesas pessoais: +0,96%
  • Transportes: +0,6%
  • Comunicação: +0,54%
  • Artigos de residência: +0,55%
  • Vestuário: +0,41%
  • Alimentação: +0,4%
  • Saúde e cuidados pessoais: +0,13%
  • Educação: +0,03%

O que é o IPCA-15

Índice foi criado para apurar a variação dos preços nos 30 dias finalizados na metade de cada mês. O indicador começou a ser divulgado em maio de 2000 e representa uma prévia do IPCA, o índice oficial da inflação no país. Para este mês, a apuração refere-se ao período entre 15 de agosto e 15 de setembro de 2026.

Indicador considera a evolução dos preços em nove grandes grupos. As análises levam em conta as variações apresentadas por itens das áreas de alimentação e bebidas, artigos residenciais, comunicação, despesas pessoais, educação, habitação, saúde e cuidados pessoais, transportes e vestuário.

Coleta de preços do IPCA-15 é feita em um período distinto do usado pelo IPCA. Com isso, o indicador demonstra qual será a tendência do resultado do mês. A análise tem como alvo a cesta de produtos consumidos pelas famílias com renda de um a 40 salários mínimos, residentes em 11 áreas urbanas do Brasil (Belém, Fortaleza, Recife, Salvador, Belo Horizonte, Vitória, Rio de Janeiro, São Paulo, Curitiba, Porto Alegre e Distrito Federal).