O Banco Central afirmou que cerca de 40% do aumento recente da inadimplência no SFN (Sistema Financeiro Nacional) decorre da implementação da Resolução 4.966 do CMN (Conselho Monetário Nacional). Segundo o BC, o efeito é contábil e não vem de novos atrasos imediatos.
A norma criou regras contábeis para a classificação e o reconhecimento de perdas em operações de crédito. Passou a exigir que os bancos reclassifiquem determinados ativos financeiros e reconheçam provisões maiores para operações renegociadas, o que pode elevar contabilmente a inadimplência sem que novos clientes tenham deixado de pagar naquele momento.
O indicador de atrasos acima de 90 dias chegou a 4,9% em julho, o maior da série histórica do BC. A avaliação consta do RPM (Relatório de Política Monetária) de setembro, divulgado nesta quinta-feira (24).
O BC afirma que a taxa básica de juros, a Selic, mantida em patamar contracionista por período prolongado, elevou a taxa média das operações de crédito.
Segundo o relatório, o consignado e o financiamento de veículos perderam tração. As famílias recorreram mais ao rotativo do cartão e ao cheque especial. O BC cita juros elevados e critérios de concessão mais rígidos nos bancos.
No crédito rural, o BC aponta custos financeiros elevados, quebra pontual de safras e margens comprimidas no agronegócio.
De acordo com o relatório, os dados são:
O presidente do BC, Gabriel Galípolo, já havia abordado a questão do crédito e do endividamento das famílias em agosto de 2026 ao menos duas vezes: uma durante conferência do Banco Santander e outra na abertura da FEBRABAN Tech 2026.
O consumo das famílias caiu 0,4% no 2º trimestre de 2026 ante o 1º trimestre. No período anterior, havia subido 1,1%.
Segundo o BC, a perda de ritmo está relacionada ao fim do impulso de medidas que haviam aumentado temporariamente a renda disponível das famílias, como a antecipação de precatórios, o reajuste do salário mínimo e a ampliação da faixa de isenção do IRPF (Imposto de Renda da Pessoa Física).
Com a dissipação desses efeitos, o rendimento médio real habitual recuou 0,6% no trimestre. A taxa de desocupação, porém, está em 5,4%, o menor nível da série histórica.
O BC projeta que o saldo total de crédito no SFN cresça 9,1% em 2026. A estimativa anterior era de 9,0%. Para 2027, a previsão é
de 8,8%.
Por segmento, as projeções para 2026 e 2027 são: