Na reta final de preparação para o Enem (Exame Nacional do Ensino Médio), muitos estudantes sentem a pressão do tempo. Quando o assunto é a redação, diversos alunos se sentem inseguros, já que o tema é revelado apenas no momento da prova.
Mesmo aqueles que dominam a estrutura dissertativo-argumentativa e escrevem textos coesos correm o risco de não garantir a aprovação desejada. A pergunta que surge é: como sair do básico e alcançar uma pontuação superior a 900 pontos?
Para Fernando Andrade, professor de redação do Estratégia Vestibulares, a resposta está no detalhe. “O aluno deve escrever pelo menos uma vez por semana. Além disso, deve focar em seus pontos fracos e ser realista em relação a quais competências podem ser melhoradas em pouco tempo”, analisa.
Já Maria de Lourdes Cunha, professora de Língua Portuguesa da rede Objetivo, afirma que se atentar à norma culta também pode ser o diferencial da nota no Enem.
"Para não 'perder de vista' o sujeito, evite construir períodos muito longos; assim, não corre o risco de fazer a concordância equivocada. Se não sabe usar a vírgula ou ficou em dúvida, transforme seu período composto em dois períodos simples ligados pelo conectivo 'E'.", aconselha.
A principal diferença está no que Fernando Andrade chama de “traço autoral”. “Um texto nota 900 atende às exigências de forma correta, mas muitas vezes burocrática. Ele apresenta repertórios bem encaixados, coerência e fluidez. Já as redações que alcançam a nota máxima demonstram que o candidato tem um conhecimento profundo sobre o tema”, explica o professor.
Um exemplo prático vem da edição passada do Enem. Enquanto muitos textos repetiram o termo “tradição africana”, os que alcançaram a nota 1.000 detalharam o que essa tradição significa, mencionando elementos como a culinária, a religião e a música. Essa especificação demonstra uma visão única e aprofundada, fator que diferencia o texto.
Maria de Lourdes ainda relembra que citar repertórios diferentes também tem destaque no momento da correção. "Procure por repertórios que, embora possam parecer muito simples, podem ser mais bem aplicados [e acertadamente empregados] dentro de um determinado contexto".
A repetição de um exemplo ou argumento também pode ser prejudicial. "Não fique girando sempre em torno do mesmo exemplo ou argumento e nem empregue os mesmos conectivos. Aliás, nada de 'tipo', 'acho' ou variantes coloquiais no texto", indica Maria de Lourdes Cunha.
A professora relembra ainda que a presença dos cinco elementos (agente, ação, meio/modo, finalidade e detalhamento) na intervenção da redação é indispensável.
Fernando Andrade reforça também que a preparação pode ser reforçada com um caderno de anotações.
“Ao estudar História, Sociologia ou Filosofia, o aluno pode registrar fatos e citações e associá-los a grandes eixos temáticos (meio ambiente, saúde, tecnologia). Por exemplo, ao estudar a abolição da escravatura, pode-se registrar a ausência de indenização aos ex-escravizados prevista na Lei Áurea como um repertório para discutir desigualdade social”, explica Andrade.
Sobre a frequência, uma redação por semana é suficiente para quem já tem um domínio mediano do texto. “Para quem está com nota abaixo de 700, a recomendação é escrever pelo menos duas vezes na semana, sendo um resumo e uma dissertação”, revela o professor do Estratégia Vestibulares.
Vale lembrar que o sistema de correção da prova avalia o texto em cinco competências independentes. Para compreender melhor essa lógica, o professor Fernando Andrade dá dicas para cada um dos tópicos.