Economia Economia
Vendas no varejo do Brasil recuam mais do que o esperado em julho
Setor teve queda de 0,8% e tem pior desempenho em três meses
15/09/2026 14h38
Por: Portal SRN Fonte: Folha de São Paulo
Foto: Reprodução

As vendas varejistas no Brasil registraram queda maior do que a esperada em julho, indicando fraqueza no início do segundo semestre com o pior desempenho em três meses e corroborando sinais de enfraquecimento da economia.

Em julho, as vendas no varejo tiveram queda de 0,8% na comparação com junho, registrando ainda alta de 1,2% na comparação com o mesmo mês de 2025.

Os dados divulgados pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) nesta terça-feira (15) vieram mais fracos do que as expectativas em pesquisa da Reuters, de recuo de 0,2% na comparação mensal e de alta de 2,15% na base anual.

Continua após a publicidade

A retração mensal no volume de vendas em julho foi apenas a segunda neste ano, depois de queda de 1,1% em abril.

No segundo trimestre, de acordo com dados do PIB (Produto Interno Bruto) divulgados no início do mês, o consumo das famílias registrou a primeira retração em três trimestres, de 0,4%.

A economia brasileira deve continuar mostrando sinais de enfraquecimento no segundo semestre, na visão de analistas, em meio a uma política monetária restritiva e apesar da força no mercado de trabalho e de medidas de estímulo ao consumo, bem como do enfraquecimento da inflação.

A Selic está atualmente em 14%, o que dificulta o crédito. O Banco Central volta a decidir sobre a taxa básica de juros na quarta-feira (16), com expectativa de novo corte de 0,25 ponto percentual.

Matheus Pizzani, economista do PicPay, alertou que a queda nas vendas se deu apesar de julho ter sido um período benigno do ponto de vista macroeconômico, com destaque para a forte deflação de alimentos no mês (-0,67%). Ele citou ainda efeitos sazonais como o inverno e o recuo nos preços dos combustíveis (-1,44%) como fatores positivos para o comércio.

"A queda observada em julho gera preocupação para o desempenho do setor prospectivamente. Uma vez dissipados estes efeitos, é pouco provável que as condições orgânicas de oferta e demanda do período atual sejam suficientes para reverter o quadro atual do comércio, que pode seguir com desempenho abaixo do esperado nas próximas medições e influenciar de maneira negativa o PIB do período", afirmou Pizzani.

Entre as oito atividades pesquisadas na pesquisa do IBGE sobre o varejo, cinco apresentaram retração frente a junho: Móveis e eletrodomésticos (-4,9%), Livros, jornais, revistas e papelaria (-4,2%), Tecidos, vestuário e calçados (-2,7%), Outros artigos de uso pessoal e doméstico (-2,2%) e Hiper, supermercados, produtos alimentícios, bebidas e fumo (-0,2%).

Já três divisões apresentaram resultados positivos: Artigos farmacêuticos, médicos, ortopédicos e de perfumaria (0,6%), Equipamentos e material para escritório, informática e comunicação (0,6%) e Combustíveis e lubrificantes (0,3%).

"O resultado reforça a leitura de que os indicadores de atividade no início do terceiro trimestre seguem mais fracos na margem e consistentes com um cenário de desaceleração gradual da economia", avaliou Leonardo Costa, economista do ASA. "A composição da pesquisa mostra enfraquecimento em categorias mais ligadas ao consumo discricionário, enquanto segmentos apoiados pela demanda mais resiliente continuam sustentando parte da atividade."

No comércio varejista ampliado, que inclui as atividades de veículos, motos, partes e peças; material de construção e atacado de produtos alimentícios, bebidas e fumo, houve alta de 0,4% nas vendas em julho sobre o mês anterior.