O Banco Central prepara uma série de normas para aprimorar o relacionamento digital e a oferta de crédito das instituições financeiras. Um dos objetivos é coibir eventuais abusos nas propostas agressivas de empréstimos, elevando a transparência e protegendo o consumidor.
Segundo pessoas próximas às conversas, as novas regras, que ainda estão sendo desenhadas, serão lançadas nos próximos meses. Procurado, o BC não se pronunciou sobre o tema.
A iniciativa acontece em meio ao endividamento da população em patamar recorde. Ela se somará a outras medidas relacionadas a reconhecimento de riscos e exigência de capital anunciadas na semana passada pelo BC para modalidades como cartão de crédito e crédito não consignado.
Uma das preocupações do BC é com as ofertas de crédito pré-aprovado de valor elevado exibidas nos aplicativos de instituições financeiras, que muitas vezes são anunciadas em cores chamativas na tela inicial dos aplicativos.
O BC avalia quais devem ser os limites e condições desse tipo de proposta. Também considera, segundo pessoas com conhecimento das discussões, determinar regras específicas de proteção aos consumidores mais vulneráveis.
A definição de público vulnerável não se restringe à baixa renda, mas também abarca a baixa familiaridade digital ou financeira do usuário, o que o torna mais suscetível a aceitar propostas involuntariamente ou sem compreensão das cláusulas de juros e encargos.
Há preocupação ainda com a experiência de navegação dos usuários nos aplicativos financeiros. Segundo interlocutores, a equipe técnica do BC identificou que, mesmo quando a instituição afirma cumprir as regras de transparência, o fluxo de telas pode induzir o usuário ao erro por sua rapidez ou diagramação agressiva.