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Nova proposta de reforma da Previdência tem como base idade mínima de 67 anos e capitalização
O eixo mais profundo da reformulação mexe no modelo previdenciário. O sistema atual, baseado 100% em repartição solidária, seria gradualmente substituído por uma estrutura
28/08/2026 09h18
Por: Portal SRN Fonte: Folha de São Paulo
Imagem: Reprodução

Uma nova proposta de reforma da Previdência, que será apresentada aos candidatos à Presidência da República, vai além de mudanças pontuais e lança a ideia de alterar completamente a arquitetura dos sistemas de aposentadorias e benefícios do INSS (Instituto Nacional do Seguro Social).

A ideia de uma segunda reforma previdenciária pode parecer precoce —a mudança de 2019 ainda está em transição—, mas os especialistas afirmam que é essencial para estabilizar a despesa, que segue crescendo em ritmo acelerado, em especial porque o Brasil está envelhecendo mais rápido que o previsto.

Se adotada na íntegra, ao final deste século, a reformulação estabilizaria a despesa previdenciária na casa de 10% do PIB (Produto Interno Bruto). Hoje, o custo já equivale a 8% do PIB. Se nada for feito, chegará a 17% em 2100.

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"Feita de forma mais ampla, como propomos, não será preciso discutir novamente outras reformas tão cedo", diz o coordenador do texto, o economista Paulo Tafner, uma referência no debate previdenciário desde a década de 1990 e que fez várias contribuições para a reforma anterior. O ex-presidente do Banco Central Arminio Fraga deu apoio ao projeto.

A reorganização ocorreria em dois eixos. De um lado, seria feita uma nova rodada de alterações chamadas "paramétricas", como a elevação da idade mínima da aposentadoria. A meta seria sair gradualmente dos atuais 62 anos para mulheres e 65 para homens, até chegar à idade mínima de 67 anos na aposentadoria para ambos os sexos, nas áreas urbana e rural —hoje há diferenças significativas.

Para aliviar a resistência à equiparação da idade mínima, que foi forte na reforma anterior, a proposta oferece um bônus para mulheres: 1,5 ano a mais no tempo de contribuição por filho, limitado a cinco filhos. O texto também insiste na implantação de um mecanismo de ajuste automático da idade mínima a partir das mudanças demográficas, o que foi rejeitado pelos congressistas em 2019.

O eixo mais profundo da reformulação mexe no modelo previdenciário. O sistema atual, baseado 100% em repartição solidária, seria gradualmente substituído por uma estrutura mista.

Metade das contribuições iria para uma capitalização financeira. A poupança pessoal seria administrada por seguradoras privadas cadastradas no INSS e também por um fundo público, para elevar a concorrência.

A outra metade das contribuições seria destinada a um sistema nocional, ou seja, escritural, dentro de um regime público de repartição administrado pelo INSS. O beneficiário acumularia créditos para calcular a aposentadoria, enquanto sua contribuição pagaria benefícios atuais.

Em comparação com o cenário fiscal em que nada seja feito, a economia com a mudança paramétrica seria suave, da ordem de 2% do PIB ao ano. A alteração estrutural, porém, teria forte impacto, de 7% do PIB.

O grupo redigiu, além do documento explicativo, um texto legislativo para iniciar a tramitação de uma PEC (Proposta de Emenda à Constituição).

Integram o grupo o ex-secretário de Previdência e ex-presidente do INSS Leonardo Rolim, o economista e consultor legislativo do Senado Bernardo Schettini, o economista Rogério Nagamine Costanzi, pesquisador do Ipea e que chegou a subsecretário do Regime Geral de Previdência Social, e o economista Sergio Guimarães Ferreira, especialista em gestão e políticas públicas.

TRANSIÇÃO LONGA

Haveria uma escala geracional na implantação da nova reforma. Após a promulgação, as regras valeriam integralmente para jovens até 24 anos; pessoas com 50 anos ou mais teriam só mudanças paramétricas e permaneceriam no sistema atual.

A geração de 25 a 49 anos entraria parcialmente no novo sistema, preservando direitos anteriores. Schettini chama o modelo de "transição suave".

"As contribuições de todos com mais de 25 anos continuam indo para o financiamento dos benefícios do INSS e pelo sistema de contas nocionais. Além disso, os cálculos mostram que a reforma gera saldos positivos muito mais do que suficientes para financiar a transição", diz.

"Os trabalhadores com mais de 50 anos também contribuem para a transição, mesmo sem mudança na fórmula, já que ficarão menos tempo aposentados."

Para compensar a queda de recursos da repartição, a proposta prevê fim de isenções para filantrópicas e agronegócio e maior restrição ao abono salarial do PIS/Pasep.

Também prevê o FSGTC, Fundo Solidário para Garantia da Transição e Capitalização, bancado por imóveis da União, securitização da dívida e rendimentos, além de royalties e participações de petróleo e gás —0,2% do PIB ao ano, em média, até 2050.

Outras fontes viriam do aumento da contribuição do MEI (Microempreendedor Individual), de 5% para 11%, e da alíquota do Simples Nacional. A reforma também prevê BPC (Benefício de Prestação Continuada) abaixo do salário mínimo e implantação de idade mínima para as Forças Armadas.

Empresas contribuiriam menos ao INSS, mas cobririam por seguros privados afastamentos por acidentes ou doenças do trabalho; o instituto pagaria benefícios programáveis, como aposentadorias.

O documento prevê perda de receita de 2,2% do PIB a partir dos anos 2070; a redução de despesa pela capitalização começa em 2071 e supera a perda em 2087.

Idade mínima de 67 anos para homens e mulheres

Como é hoje:

Como ficaria:

Desafios:

Como seria a transição na aposentadoria do INSS urbana:

Ano Homem Mulher
2027 65 anos 62 anos
2028 65 anos e 6 meses 62 anos e 6 meses
2029 66 anos 63 anos
2030 66 anos e 6 meses 63 anos e 6 meses
2031 67 anos 64 anos
2032 67 anos 64 anos e 6 meses
2033 67 anos 65 anos
2034 67 anos 65 anos e 6 meses
2035 67 anos 66 anos
2036 67 anos 66 anos e 6 meses
2037 67 anos 67 anos

Como seria a transição na aposentadoria do INSS rural:

Ano Homens Mulheres
Hoje 60 anos 55 anos
1º ano 60 anos e 6 meses 55 anos e 6 meses
2º ano 61 anos 56 anos
3º ano 61 anos e 6 meses 56 anos e 6 meses
4º ano 62 anos 57 anos
5º ano 62 anos e 6 meses 57 anos e 6 meses
6º ano 63 anos 58 anos
7º ano 63 anos e 6 meses 58 anos e 6 meses
8º ano 64 anos 59 anos
9º ano 64 anos e 6 meses 59 anos e 6 meses
10º ano 65 anos 60 anos
11º ano 65 anos e 6 meses 60 anos e 6 meses
12º ano 66 anos 61 anos
13º ano 66 anos e 6 meses 61 anos e 6 meses
14º ano 67 anos 62 anos
15º ano 67 anos 62 anos e 6 meses
16º ano 67 anos 63 anos
17º ano 67 anos 63 anos e 6 meses
18º ano 67 anos 64 anos
19º ano 67 anos 64 anos e 6 meses
20º ano 67 anos 65 anos
21º ano 67 anos 65 anos e 6 meses
22º ano 67 anos 66 anos
23º ano 67 anos 66 anos e 6 meses
24º ano 67 anos 67 anos

Novo sistema (repartição + capitalização)

Como é hoje:

Como ficaria:

Idade na aprovação da reforma Como ficaria a aposentadoria

50 anos ou mais (nascidos até 31 de dezembro de 1977)

Não é afetado pela reforma no sistema; continua no modelo atual, mas está sujeito aos novos ajustes de idade mínima e demais parâmetros nos benefícios ao se aposentar
25 a 49 anos (nascidos de 1º de janeiro de 1978 até 31 de dezembro de 2002) Regra de transição: preserva o que já acumulou e as novas contribuições vão para uma conta nocional (são registradas em uma conta gráfica em nome do segurado e atualizadas de acordo com uma taxa que reflete a evolução da massa salarial dos contribuintes), administrada pelo INSS; o cálculo é misto: 50% pela regra atual da Previdência e 50% pelo sistema de contas nocionais
Até 24 anos (nascidos a partir de 1º jan. 2003) Entra no novo modelo, com contribuição dividida entre conta nocional e capitalização financeira (com conta privada em fundo de pensão escolhido pelo trabalhador, conforme livre concorrência da qual o governo também pode participar)

Desafios:

Bônus para mulher por filho, limitado a cinco filhos

Como é hoje:

Como ficaria:

Desafio:

Aumento da contribuição do MEI

Como é hoje:

Como ficaria:

Desafio:

Aposentadoria especial com idade mínima maior

Como é hoje:

Como ficaria:

Desafio:

O STF (Supremo Tribunal Federal) julgou inconstitucional a idade mínima na aposentadoria especial

Idade mínima na aposentadoria da pessoa com deficiência

Como é hoje:

Como ficaria:

Desafio:

Aposentadoria de professor e policial aos 64 anos

Como é hoje:

Como ficaria:

Desafios:

Idade mínima de 55 anos para militares das Forças Armadas e mudança na pensão

Como é hoje:

Como ficaria:

Desafio:

BPC do idoso menor do que o salário mínimo

Como é hoje:

Como ficaria:

Desafio:

INSS deixará de pagar benefício por incapacidade ligado ao trabalho

Como é hoje:

Como ficaria:

Desafio:

Contribuição da empresa ao INSS será menor

Como é hoje:

Como ficaria:

Desafio:

Regras iguais para todos os servidores públicos

Como é hoje:

Como ficaria:

Desafio:

Restrição ao abono do PIS/Pasep:

Como é hoje:

Como ficaria:

Desafio: