Começou nesta quinta-feira (30) a temporada de apresentações do espetáculo "Cleópatra — Rainha Caatingueira", oitava edição da Ópera da Serra da Capivara. Até 2 de agosto, o público poderá acompanhar, no Anfiteatro Ancestral, em meio às paisagens do Parque Nacional da Serra da Capivara, patrimônio mundial da UNESCO, uma das mais singulares experiências cênicas ao ar livre do país, que integra arte, natureza, tecnologia e arqueologia em um cenário milenar.
O tema "Cleópatra — Rainha Caatingueira" foi construído para conectar simbolicamente dois territórios culturais — o Egito Antigo e o sertão brasileiro — em uma narrativa inédita que propõe uma reflexão sobre identidade, pertencimento e origem, tendo como referência a ancestralidade africana.
O enredo conta a travessia poética da icônica monarca, Cleópatra, ao bioma brasileiro. Após sua queda, a última grande rainha da civilização egípcia deixa seu oásis às margens do rio Nilo e atravessa o oceano Atlântico até o território piauiense. Agora, sob os paredões desta serra milenar, ela precisa confrontar a perda de sua divindade e se adaptar a uma terra onde a autoridade não nasce de coroas, mas do pertencimento à natureza.
Depois de sobreviver a um transe místico, ela renasce como a "Rainha Caatingueira", trocando seus antigos símbolos imperiais por uma coroa de galhos e flores da Caatinga, em uma reconciliação com sua condição humana, marcando a identificação da personagem com a ancestralidade dos povos da sua nova morada.
Ao longo das edições, a Ópera consolidou-se como um projeto que transforma a região piauiense em um grande palco natural, ao unir artistas de linguagens diversas como música, dança, teatro e circo ao uso de tecnologias como laser e projeção mapeada, em uma experiência cênica criada especialmente para o espaço, com enredos autorais sempre inéditos e que utilizam elementos naturais daquele bioma.
"A Ópera promove um diálogo harmônico entre cultura e natureza, por meio de uma experiência imersiva e sensorial única no mundo", conta Sádia Castro, idealizadora e diretora-geral do evento, que tem patrocínio da Caixa Vida e Previdência e da Equatorial Piauí, por meio da Lei Rouanet. Ela explica que todo o contexto particular do local torna a vivência dos espectadores ainda mais especial.
"A Serra da Capivara é um lugar arrebatador. E o espetáculo é vivido em um autêntico teatro vivo do Brasil, sem paredes, diante de uma imensa cordilheira de pedra. Não tem teto, tem o céu! E, em vez de atravessar uma rua, o público caminha por uma estrada de terra iluminada pelas estrelas", convida Sádia.
Todas as noites, após o Ato principal, acontece uma programação organizada para celebrar a riqueza e a diversidade da produção musical brasileira. Em 2026, quatro vozes contemporâneas e potentes compõem o line-up da edição: os cantores Chico César, Mari Jasca, Fitti e Rubia Divino encerram o evento propondo um encontro de trajetórias e estilos que utiliza a monumentalidade dos paredões e o céu da Caatinga como palco.
A abertura, dia 30 de julho, será em grande estilo com o mestre paraibano Chico César assumindo o palco do Anfiteatro Ancestral. Na noite seguinte (31), será a vez de Mari Jasca, artista com raízes argentinas e formação na cena carioca. No sábado, dia 1º de agosto, será a vez do cantor Fitti interpretar um dos maiores nomes da MPB: Ney Matogrosso.
O encerramento da edição 2026 da Ópera será com Rubia Divino, que viverá a protagonista Cleópatra. Carioca radicada em Curitiba, a cantora e atriz apresenta sua música que transita entre jazz, afrobeat e maracatu. Confira datas e horários na programação completa em www.operadaserradacapivara.com.br.