As empresas de tecnologia dos Estados Unidos eliminaram quase 140 mil empregos desde o início de 2026, dando continuidade a uma onda de demissões no setor, mesmo com os investimentos em inteligência artificialatingindo níveis recordes.
O setor de tecnologia responde por mais de um terço das demissões anunciadas nos EUA durante o período, segundo análise do Financial Times com base em documentos corporativos e dados da empresa de recolocação profissional Challenger, Gray & Christmas.
Amazon, Oracle, Meta e Microsoft respondem por quase 50 mil desses cortes, o que representa cerca de 6% do total de seus funcionários.
Cortes drásticos de empregos se tornaram a norma no Vale do Silício desde a pandemia de Covid-19 , quando as empresas iniciaram uma onda de contratações baseada na expectativa de demanda sustentada por serviços digitais. Muitas continuaram a reduzir o número de funcionários enquanto investiam pesado em infraestrutura de IA.
O destino dos trabalhadores da área de tecnologia contrasta com um mercado de trabalho mais amplo, relativamente resiliente. Embora as contratações tenham arrefecido desde o boom pós-pandemia, a taxa de desemprego nos EUA permanece baixa, em 4,2%, segundo dados do Departamento de Estatísticas do Trabalho.
Os quatro maiores provedores de hiperescala —Amazon, Alphabet, Meta e Microsoft— esperam investir um total de US$ 725 bilhões (R$ 3,7 trilhões) este ano em infraestrutura de data centers.
A Oracle, por sua vez, planeja investir US$ 70 bilhões (R$ 354,6 bilhões) em instalações semelhantes para atender clientes como a OpenAI. Rishi Jaluria, analista do RBC, afirmou que as empresas de tecnologia estão fazendo cortes para compensar as contratações excessivas do passado e liberar capital para investimentos em IA. "O dinheiro precisa vir de algum lugar", disse.
A Oracle encerrou o ano fiscal de 2026 com 21 mil funcionários a menos do que no ano anterior, após cortes realizados em março. Essas demissões ocorreram em meio à crescente pressão sobre o balanço patrimonial da empresa. Neste mês, a S&P rebaixou a classificação de crédito da companhia para um nível acima do grau especulativo, citando fluxo de caixa mais fraco e incerteza quanto ao retorno sobre investimentos em inteligência artificial.
Paralelamente aos investimentos em IA , os grupos de tecnologia têm se mobilizado para reestruturar unidades de negócios nas quais antes apostavam como oportunidades de crescimento.
No início deste mês, a Microsoft cortou 4.800 postos de trabalho, a maioria deles na sua unidade de jogos Xbox, numa reestruturação conduzida apenas três anos após a aquisição da Activision Blizzard por US$ 75 bilhões (R$ 380 bilhões).