A declaração do vice-governador Themistocles Filho (MDB) sobre os prefeitos petistas que apoiam o senador Ciro Nogueira (Progressistas) expôs mais um capítulo da crescente tensão na base governista do Piauí.
Ao afirmar "Quero ver o que farão com os prefeitos do PT que apoiam Ciro para o Senado", Themistocles respondeu às críticas direcionadas ao seu posicionamento político e levantou um questionamento sobre o tratamento que será dado aos aliados do próprio Partido dos Trabalhadores que também declararam apoio ao líder progressista.
A fala evidencia o que já é percebido nos bastidores do Palácio de Karnak: a disputa pelo Senado caminha para uma configuração diferente da eleição para o Governo do Estado. Embora a reeleição do governador Rafael Fonteles permaneça como prioridade da base aliada, cresce a avaliação de que será difícil impor uma candidatura única ao Senado entre prefeitos e lideranças políticas.
O posicionamento de Themistocles também reforça o debate sobre a adoção de critérios iguais para todos os integrantes da base governista. Na avaliação do vice-governador, caso haja cobrança por fidelidade de alguns aliados, o mesmo critério deverá ser aplicado aos prefeitos filiados ao PT que já manifestaram preferência por Ciro Nogueira.
A declaração ocorre em um momento de desgaste na relação política entre Rafael Fonteles e Themistocles Filho. Nos bastidores, interlocutores do governo admitem que o clima entre os dois, que já era distante, esfriou ainda mais após o anúncio de apoio do vice-governador ao senador progressista.
Com a aproximação das convenções partidárias, a tendência é que a discussão sobre liberdade de apoio ao Senado ganhe ainda mais força. Até o momento, não há sinais concretos de rompimento na aliança governista para a disputa pelo Palácio de Karnak, mas a fala de Themistocles deixa claro que a cobrança por coerência deverá pautar os próximos capítulos da política piauiense.