Saúde Saúde
Canetas para emagrecimento começam a ser testadas no SUS
Projeto-piloto acompanhará 250 pacientes com obesidade no RS durante dois anos.
29/06/2026 08h47
Por: Portal SRN
Imagem: Reprodução

O Sistema Único de Saúde (SUS) iniciou um projeto-piloto para avaliar o uso da semaglutida, princípio ativo das chamadas canetas para emagrecimento, no tratamento da obesidade. A pesquisa será realizada com 250 pacientes atendidos pelo Grupo Hospitalar Conceição (GHC), no Rio Grande do Sul, e pretende medir a eficácia clínica, a segurança e o impacto financeiro da incorporação do medicamento à rede pública.

Batizado de Real-Bari, o estudo foi desenvolvido em parceria entre o Ministério da Saúde e o GHC e acompanhará, durante dois anos, pacientes com obesidade grave ou associada a outras doenças. Todos os participantes já realizam tratamento na unidade e precisaram cumprir critérios específicos para ingressar na pesquisa.

Entre as exigências estão diagnóstico de obesidade há pelo menos 12 meses, falha comprovada em tratamentos convencionais — como dieta e atividade física — e capacidade de realizar a autoaplicação do medicamento ou contar com auxílio de um cuidador.

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Ao longo do estudo, serão analisados indicadores como perda de peso, melhora da qualidade de vida, evolução dos exames clínicos, resultados pós-operatórios e os custos do tratamento. O objetivo é verificar se a tecnologia pode ser incorporada de forma segura e sustentável ao SUS.

A iniciativa marca a primeira experiência do sistema público brasileiro com medicamentos à base de GLP-1 voltados ao tratamento da obesidade. Durante o lançamento do projeto, um dos pacientes selecionados recebeu a primeira aplicação do medicamento.

O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, afirmou que o estudo coloca o Brasil entre os países que avaliam a utilização dessa tecnologia no sistema público. Segundo ele, além do tratamento da obesidade e do diabetes, os medicamentos poderão futuramente ampliar sua aplicação para outras doenças crônicas, conforme o avanço das pesquisas.

O protocolo de acompanhamento prevê monitoramento contínuo por equipes médicas especializadas. De acordo com o Grupo Hospitalar Conceição, 91% dos pacientes com obesidade atendidos pela instituição apresentam quadro mórbido da doença, mas menos da metade reúne condições para realizar cirurgia bariátrica.

O projeto será financiado por recursos repassados ao hospital pela Fundação de Apoio da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (FAURGS), provenientes de aporte financeiro da empresa fabricante do medicamento.