A decisão do Governo Federal de elevar a mistura obrigatória de etanol anidro na gasolina para 32% reacende um debate antigo no setor automotivo: afinal, quem ganha e quem perde quando cresce a participação dos biocombustíveis no tanque?
Na prática, a mudança posiciona o Brasil em direção a uma matriz de transportes menos dependente de combustíveis fósseis porque dá mais vida "à bancada do etanol".
O país já é referência mundial na utilização do álcool, mas a elevação da mistura também traz impactos diretos para consumidores, montadoras, produtores de combustível e para a própria economia.
O principal argumento do governo é reduzir a dependência da gasolina produzida a partir do petróleo. Importar menos 450 milhões de litros de gasolina, segundo o ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira.
Quanto maior a participação do etanol, menor a necessidade de importar combustíveis ou derivados em momentos de alta internacional do petróleo.
Além disso, a medida fortalece a cadeia sucroenergética brasileira, responsável por milhões de empregos diretos e indiretos. O aumento da mistura também ajuda o Brasil a cumprir metas ambientais, já que o etanol possui menor pegada de carbono quando comparado à gasolina.
Essa é a principal dúvida do consumidor. Bom, se acontecesse dessa forma, se o etanol permanecesse competitivo nas usinas e distribuidoras, a gasolina poderia apresentar redução de preço ou, ao menos, sofrer menos pressão de alta em comparação com um cenário de maior dependência do petróleo.
Por outro lado, o consumidor só perceberá essa vantagem se a diferença de custo entre gasolina e etanol for efetivamente repassada ao longo da cadeia de distribuição, porque historicamente nem sempre essa redução chega integralmente às bombas.
Aqui está o ponto que mais interessa ao motorista. O etanol possui menor poder calorífico que a gasolina. Em outras palavras, gera menos energia por litro consumido.
Com a passagem de E27 para E32, estimo uma redução de eficiência energética de 1% a 2%, dependendo do motor. E será que você percebeu isso no primeiro acréscimo de 27% para 30%? Muito difícil. Mas seu carro passou a beber mais e o "cliente" continuou pagando caro pelo litro. Para a maioria dos motoristas, essa nova diferença tende a ser quase imperceptível no uso diário.
Os motores flex não terão qualquer dificuldade em operar com gasolina E32. A engenharia já sabe disso. Até mesmo os carros que só podem beber gasolina. A calibração eletrônica já foi feita para ter componentes compatíveis com percentuais elevados de etanol. Lembre que a meta do governo é o E35, ou seja, a mistura de 35% estará chegando em breve.