As maiores cervejarias do mundo se preparam para um aumento no consumo de cerveja durante a Copa do Mundo de 2026, que será realizada nos Estados Unidos, no México e no Canadá de 11 de junho a 19 de julho. Estimativa do banco norte-americano Jefferies aponta que o torneio deve acrescentar cerca de 568 milhões de litros ao consumo global da bebida. O volume equivale a uma alta de 0,3% nas vendas globais de cerveja no ano.
Segundo o levantamento, o impacto deve ser maior em mercados relevantes para o setor, como Estados Unidos, México, Brasil, China e países da Europa Ocidental. Além do tamanho da competição, os horários dos jogos devem favorecer o consumo de cerveja, já que grande parte das partidas será disputada em faixas consideradas mais favoráveis para bares e transmissões coletivas.
A AB InBev, dona de marcas como Budweiser, Stella Artois e Corona, deve estar entre as principais beneficiadas. A companhia é patrocinadora oficial da Copa do Mundo e tem forte presença nos mercados dos Estados Unidos e do México, 2 dos 3 países-sede. Analistas também apontam possíveis ganhos para empresas como Heineken e Carlsberg, ainda que em menor escala.
A expectativa contrasta com a Copa de 2022, no Qatar, quando a venda de bebidas alcoólicas nos arredores dos estádios foi proibida pouco antes do início do torneio. A decisão reduziu a exposição de marcas de cerveja no evento e limitou o consumo em áreas oficiais ligadas às partidas.
O setor cervejeiro tenta se recuperar de anos de volatilidade, pressionado por mudanças de hábitos de consumo, inflação e custos mais altos. Para o Jefferies, a Copa de 2026 pode funcionar como um impulso temporário para volumes e receitas das grandes fabricantes, especialmente por ser disputada em 3 grandes mercados consumidores e em um formato mais longo que os anteriores.
O impulso esperado com a Copa vem depois de um período de pressão sobre as grandes cervejarias. A AB InBev informou queda de 2,3% nos volumes em 2025, com recuo de 2,6% especificamente em cerveja, apesar de alta orgânica de 2% na receita anual.
A Heineken também teve retração em 2025. A companhia informou queda de 3,4% no volume total e de 4,1% no volume de cerveja no ano, embora a receita líquida tenha avançado 1,6%.
Na Carlsberg, o resultado reportado foi influenciado pela compra da Britvic, que elevou os números consolidados. Sem esse efeito, a empresa informou queda de 0,6% na receita orgânica em 2025, enquanto o relatório financeiro da Carlsberg Breweries aponta recuo de 1,6% no volume orgânico no ano.
Por isso, analistas veem o Mundial de 2026 como uma oportunidade de recuperação temporária para o setor. Além do formato ampliado, com 48 seleções e 104 jogos, a Copa será disputada nos Estados Unidos, no México e no Canadá, mercados relevantes para a venda de cerveja, e terá partidas em horários mais favoráveis ao consumo nas Américas e na Europa.