O primeiro bimestre de 2026 já apresenta o maior gasto nominal com divulgação da atividade parlamentar de deputados federais desde 2008, quando essa informação começou a ser registrada.
Dados parciais indicam R$ 15,7 milhões pagos, contra R$ 14,9 milhões no mesmo período de 2025.
Considerando os dados corrigidos pela inflação, o maior valor foi o de 2024, com R$ 16,2 milhões.
O valor de 2026, no entanto, deve aumentar e caminha para bater o recorde, já que os parlamentares têm até 90 dias para comunicar as despesas à Câmara dos Deputados.
A cada quatro anos, parlamentares que buscam a reeleição concentram esses gastos no primeiro semestre, em uma estratégia de visibilidade pré-eleitoral.
De acordo com as normas da cota para parlamentar, os deputados são proibidos de utilizar a verba para divulgação do mandato nos 120 dias anteriores ao primeiro turno —ou seja, têm até o início de junho para gastar promovendo suas ações.
Pela regra, nenhum dos gastos da cota pode ser feito com "caráter eleitoral".
Na prática, no entanto, os gastos são feitos principalmente para enaltecer os feitos dos deputados em suas redes sociais, o que acaba por configurar uma vantagem adicional para os parlamentares em relação aos concorrentes.
Mesmo fora de períodos eleitorais, a propaganda tem ocupado uma fatia crescente do orçamento da cota parlamentar.
O único ano atípico recente foi 2022, quando a alta nos preços das passagens aéreas pós-pandemia deslocou temporariamente a "divulgação de atividade" do topo do ranking de despesas. Contudo, a autopromoção retomou a liderança logo em seguida.
O histórico das despesas revela uma mudança de padrões na Câmara: em 2008, os maiores gastos eram de telefonia (29%) e consultorias e trabalhos técnicos (18,6%).
Hoje, a telefonia é gasto residual, e as consultorias são majoritariamente realizadas pelo corpo técnico da Casa ou por secretários parlamentares, cujos salários são custeados pela verba de gabinete, e não pela cota.
Desde o início da legislatura, em fevereiro de 2023, os deputados já gastaram R$ 310 milhões na divulgação do mandato.
A transparência sobre os serviços prestados é limitada. A maioria das notas não tem descrição pormenorizada. É possível verificar a partir das notas, no entanto, pagamentos relacionados aos seguintes serviços:
A soma supera 100% porque uma única nota fiscal pode listar múltiplos serviços sem o devido detalhamento de custos individuais. Alguns registros mais detalhados especificam com mais clareza o material pago com os recursos da cota parlamentar.
Um exemplo é uma publicação de maio de 2025 no Instagram, em que o deputado Albuquerque (Republicanos-RR) anuncia R$ 8 milhões de emendas para o município de Mucajaí (RR).
A divulgação, diz o deputado, é prestação de contas para o eleitor do estado.
Em outro post financiado pela cota parlamentar, o deputado Robinson Faria (PP-RN) comemora recursos de emenda destinados a uma associação voltada ao atendimento de pessoas com autismo. Faria diz que a divulgação da d