Uma decisão política tomada nos bastidores da base governista pode impactar diretamente quem sonha em assumir mandato na Assembleia Legislativa. A ruptura do MDB com o PSD na formação da chapa proporcional deve alterar a engenharia política da base e produzir um efeito colateral importante: menos espaço para suplentes ao longo da legislatura.
Na prática, a tendência é que deputados estaduais não sejam chamados para ocupar secretarias no governo, o que impede a abertura de vagas temporárias na Assembleia. Sem deputados deixando o mandato, os suplentes acabam ficando fora do jogo.
O rompimento com o PSD foi provocado diretamente pela forma agressiva como o deputado estadual Georgiano Neto vem ampliando sua atuação eleitoral em várias regiões do estado.
Nos bastidores, aliados reclamam que o parlamentar tem avançado em colégios eleitorais que tradicionalmente pertenciam a outros pré-candidatos da própria base governista.
Para essas lideranças, o movimento acontece mesmo sem necessidade política. “Ele já tem uma base muito grande. Mesmo assim continua entrando nas regiões de outros aliados”, afirmou a fonte.
A reação veio dentro do próprio MDB. Em reunião realizada na casa do deputado estadual Henrique Pires, lideranças decidiram romper o acordo que vinha sendo desenhado com o PSD para a formação de uma chapa conjunta de deputados estaduais.
Segundo uma das lideranças presentes, o partido avaliou que sairia prejudicado no arranjo com PSD. “É uma questão de sobrevivência. Nesse formato o MDB elegeria apenas três deputados”, afirmou.
A decisão já foi comunicada ao governador Rafael Fonteles, que defendia inicialmente uma estratégia mais enxuta, com apenas duas chapas proporcionais na base governista.