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Município no sul do Piauí é um dos principais núcleos de desertificação do Brasil

Na região há pouca chuva e em muitos pontos já não se encontra mais cobertura vegetal.

04/09/2021 às 10h13
Por: Weslley Moreira Fonte: G1
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Gilbués, Sul do Piauí — Foto: Pedro Santiago/G1
Gilbués, Sul do Piauí — Foto: Pedro Santiago/G1

O município de Gilbués, 850 km ao Sul de Teresina, tem uma das maiores áreas de solo degradado do Nordeste e é um dos principais núcleos de desertificação do país. Isso fez com que a região passasse a ser conhecida como o “Deserto de Gilbués”.

Na região há pouca chuva e em muitos pontos já não se encontra mais cobertura vegetal, devido ao processo de desertificação, fenômeno caracterizado pela transformação (natural ou como resultado de interferência humana) de uma área vegetativa em deserto.

“É a destruição física e química por erosão, está associada a duas casualidades: a fragilidade do clima, quando ele contribuí para desertificação, diminuição da chuva, aumento da temperatura, entre outras coisas, e também às causas humanas”, explicou o climatologista Werton Costa.

O climatologista afirmou que o Piauí é um caso excepcional, que a ciência tenta qualificar se é um exemplo clássico de desertificação ou não, porque o processo em Gilbués é diferente dos processos que ocorrem em outros estados nordestinos.

“As condições de solo são diferenciadas, é uma região de bacia sedimentar, a quantidade de chuva é relativamente maior, mas temos que considerar a atividade humana. A cidade foi palco de atividades econômicas que degradaram o solo, como a pecuária, a agricultura e a atividade mineradora, onde houve exploração de diamantes”, informou.

As ações, do homem e da natureza, são visíveis. Em diversos áreas é possível notar a erosão violenta, que cria voçorocas, crateras enormes com solo sem vegetação que pode ser facilmente alterado por enxurradas.

A previsão é de que a situação se agrave, de acordo com o mais recente relatório do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC, sigla em inglês), publicado no início deste mês.

O estudo diz que a região terá aumento de temperatura entre 2,3 °C – 2,5 e diminuição de 10 a 20% das chuvas nos próximos anos.

Existem iniciativas para a reconstituição do solo e recomposição da vegetação original, mas ainda não se sabe até que ponto essas ações poderão ajudar a conter o processo. “É preciso criar uma barreira para impedir o avanço do processo de desertificação”, disse Werton Costa.

Uma dessas iniciativas é o Núcleo para Pesquisa de Recuperação de Áreas Degradadas e Combate à Desertificação, que está parado há cerca de dois anos.

A Secretaria de Estado do Meio Ambiente e Recursos Hídricos do Piauí (Semar) afirmou que está adquirindo mudas de plantas nativas da região para reativação do núcleo. “Queremos também fazer um trabalho com as comunidades no entorno até o fim deste ano”, disse a secretária Sádia Castro.

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