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Saúde Coronavírus

7 erros que explicam o fracasso brasileiro no controle da Covid-19

O Brasil tinha condições favoráveis para dar uma boa resposta à pandemia, mas isso não aconteceu

24/07/2021 às 11h54
Por: Weslley Moreira Fonte: Uol
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Pacientes de Manaus chegam a Teresina após colapso no AM (Foto: Lucas Oliveira)
Pacientes de Manaus chegam a Teresina após colapso no AM (Foto: Lucas Oliveira)

O Brasil tinha condições favoráveis para dar uma boa resposta à pandemia e evitar que a situação ficasse tão dramática como temos visto há mais de um ano.

 

A gratuidade e a capilaridade do SUS (Sistema Único de Saúde), ou os êxitos —reconhecidos mundialmente— dos programa nacional de vacinação e de controle do HIV/Aids são alguns dos exemplos que nos levam a afirmar que poderíamos ter nos saído melhor no controle da pandemia.

 

Mas, passado um ano e meio, o país beira as 550 mil mortes —o equivalente a 13% dos 4,2 milhões de mortos no mundo, tendo apenas 2,7% da população.

 

O UOL ouviu especialistas para tentar entender quais foram os maiores erros no combate à doença para estarmos numa situação tão dramática. Em sete pontos, eles listam os fracassos.

 

1- Negacionismo

 

No começo, para quem tivesse "histórico de atleta", a covid-19 seria uma "gripezinha", disse o presidente Jair Bolsonaro (sem partido).

 

Desde aquele momento, a gravidade da pandemia foi minimizada pelo chefe da República, que deixou de seguir as recomendações científicas, como a necessidade de lockdown nacional e o uso de máscaras. Medidas essenciais para preservar vidas ficaram de lado.

 

"Diria que isso foi um outro vírus, que matou tanto quanto o vírus original", diz o médico, pesquisador e neurocientista Miguel Nicolelis.

 

Durante a pandemia, integrantes ou aliados do governo chegaram a insinuar absurdos como a suposta falsificação de declarações de óbitos e que cidades estariam enterrando caixões vazios para criar uma comoção pública.

 

"Aqui tivemos passeatas contra lockdown, pessoas invadindo hospitais, atacando pesquisadores e médicos. Esse negacionismo custou a vida de muita gente. Quantos seguidores do nosso presidente não acreditaram nas propagandas erradas dele e se intoxicaram com cloroquina? Quantas não deixaram de usar máscaras? Pagamos um preço altíssimo", diz.

 

Nicolelis afirma que, negando a ciência, o governo deixou de agir para salvaguardar o povo. "O fato de não agir mata também. Podemos falar de uma omissão de socorro gigantesca. Basta ver o número proporcional de mortos no Brasil."

 

2 - Mentiras viraram outra epidemia

 

Qualquer pessoa que use um aplicativo de mensagens recebeu informações erradas: máscaras podem fazer mal, lockdown aumenta a proliferação do vírus, cloroquina (ou outro remédio) cura covid, vacina faz mal. A disseminação de notícias falsas, até por canais oficiais, teve papel crucial para alavancar a pandemia.

 

"O que a gente tem vivido no Brasil, assim como a covid, é uma pandemia da desinformação, que chamo de infodemia", explica a sanitarista Bernadete Perez, vice-presidente da Abrasco (Associação Brasileira de Saúde Coletiva).

 

Com informações contraditórias, em muitos momentos a população ficou em dúvida sobre em quem poderia confiar.

 

Com um país de tamanho continental, o investimento na comunicação deveria ter ocorrido pela atenção primária de saúde. "Deveríamos ter trabalhado a partir da orientação familiar e comunitária", diz.

 

3 - Falta de coordenação nacional

 

A falta de convicção da gravidade no poder central fez com que o país enfrentasse a pandemia sem um plano nacional de combate ao novo coronavírus.

 

"Não tivemos uma coordenação nacional que previsse respostas de base comunitária. Nós poderíamos levar a saúde para um nível mais micro, atuar em todos locais", afirma o epidemiologista Antônio Lima Neto, da Unifor (Universidade de Fortaleza).

 

Weslley Moreira
Weslley Moreira
Sobre Editor e Fundador do Portal SRN. Conteúdo diverso!
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