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Exportadores de mel projetam 2026 de incertezas com tarifaço ainda em vigor
Tarifa de 50% nos EUA derrubou exportações, cancelou contratos e reduziu preço pago aos apicultores.
04/01/2026 13h00 Atualizada há 8 meses
Por: Portal SRN Fonte: G1 PI
Imagem: Reprodução

Os exportadores de mel do Piauí, estado brasileiro que mais exporta o produto, começaram 2025 com otimismo, mas o ano foi marcado por uma reviravolta após o setor enfrentar o anúncio da tarifa de 50% sobre produtos brasileiros nos Estados Unidos, imposta pelo governo de Donald Trump a partir de agosto.

A medida desestabilizou o mercado, provocou o cancelamento de centenas de toneladas em vendas e deixou milhares de famílias de apicultores em situação de alerta para o próximo ano.

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Segundo a Associação Brasileira dos Exportadores de Mel (Abemel), o primeiro semestre fechou com um crescimento de 9% nas exportações em relação ao mesmo período de 2024. No entanto, o cenário mudou drasticamente em julho com o anúncio das novas taxas americanas.

Os Estados Unidos são o principal destino do mel brasileiro, consumindo cerca de 80% da produção nacional. Com o chamado "tarifaço", o crescimento acumulado transformou-se em queda. Entre janeiro e novembro de 2025, as exportações já estavam 6% abaixo do registrado no ano anterior.

Impacto direto no Piauí

O Piauí, que liderou o ranking de exportação de mel para os EUA em 2024, sentiu o golpe rapidamente. No estado, o setor é responsável pela renda de mais de 40 mil famílias.

Grandes empresas e cooperativas relataram prejuízos imediatos:

  • O Grupo Sama, em Oeiras, teve a venda de 585 toneladas cancelada logo após o anúncio da tarifa.
  • A Central de Cooperativas Apícolas do Semiárido Brasileiro (Casa Apis), em Picos, registrou o travamento de 152 toneladas, gerando um prejuízo estimado em R$ 2,5 milhões em apenas 15 dias.

O impacto chegou também ao campo. O preço pago ao produtor pelo quilo do mel, que era de R$ 18,50, caiu para cerca de R$ 15,00 em algumas regiões. Diante disso, apicultores chegaram a adiar a colheita na esperança de uma melhora nos preços.

Busca por novos mercados

Para tentar contornar a dependência do mercado americano, exportadores intensificaram a busca por novos compradores na Europa e na Ásia. Países como Alemanha, Holanda, Canadá e Japão entraram no radar estratégico do setor.