O governador Rafael Fonteles sancionou a Lei nº 8.880/2025, que autoriza o Governo do Piauí a contratar uma operação de crédito externo de aproximadamente R$ 3,2 bilhões junto ao Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), com garantia da União. A norma, já em vigor após aprovação pela Assembleia Legislativa, destina os recursos à reestruturação e recomposição do principal da dívida estadual, dentro do Projeto de Qualidade Fiscal do Piauí.
Apesar do objetivo fiscal, a medida gera críticas por não prever investimentos diretos em áreas essenciais como saúde, educação e infraestrutura. Especialistas avaliam que o refinanciamento de dívidas pode aliviar o caixa no curto prazo, mas não resolve problemas estruturais das contas públicas.
Outro ponto sensível é a autorização para vincular receitas estaduais como contragarantia à União, em caráter irrevogável, o que pode comprometer orçamentos futuros e reduzir a capacidade de investimento do Estado. Mesmo com a exigência de cumprimento da Lei de Responsabilidade Fiscal, o aumento do endividamento tende a pressionar as finanças nos próximos anos.
O desafio do governo será demonstrar que o empréstimo contribuirá para um equilíbrio fiscal sustentável, sem ampliar a dependência de novas dívidas.