Educação “tia” ou “pedagogo”
52% dos gestores não usam o termo “professor” para educadores infantis
Estudo da Frente Parlamentar Mista da Educação, em parceria com o Equidade.info, revela desvalorização na educação infantil, com o uso do “tia” prevalecendo nas escolas
14/10/2025 06h30
Por: Portal SRN Fonte: CNN Brasil
Imagem: Reprodução

Uma pesquisa realizada pela Frente Parlamentar Mista da Educação, em parceria com o Equidade.info, mostra que menos da metade dos gestores escolares em unidades de educação básica que também oferecem serviços de educação infantil (como creche, pré-escola ou ambos), o que representa 48%, identifica os profissionais da educação infantil como “professores”.

A maioria (52%) recorre a termos como “tia” ou “pedagogo”, prática que contribui para a desvalorização de uma das carreiras mais importantes do país.

Reconhecimento ainda é desafio

A análise regional indica contrastes ainda mais marcantes: no Sul, o reconhecimento como “professor(a)” é praticamente unânime (99%), enquanto no Sudeste nenhum gestor entrevistado usou o termo para se referir aos profissionais de creches e pré-escolas (0%).

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Fatores estruturais se somam à falta de reconhecimento desses profissionais. Segundo o Anuário Brasileiro da Educação Básica, um terço dos municípios brasileiros não paga o piso salarial nacional (R$ 4,8 mil) para professores da rede pública – no Sudeste, quase metade das cidades (45%) ignora o valor-base. Por outro lado, 80% dos municípios do Nordeste e 73% do Norte garantem o salário determinado para a categoria.

A deputada Luciene Cavalcante (PSOL-SP), professora e membro da Frente Parlamentar Mista da Educação, reforça a necessidade urgente de valorização profissional e de reconhecimento da identidade docente, especialmente na educação infantil.