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Falta de estoque pode travar vendas de eletrodomésticos na Black Friday

O coordenador do estudo, Rodolpho Tobler, diz que muitas empresas conseguiram se preparar para as vendas online desta sexta.

27/11/2020 13h23
Por: Redação Fonte: Portal SRN
Imagem: reprodução
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Sondagem do Ibre/FGV mostra que, neste mês, 30,8% das empresas estão com estoques insuficientes de móveis e eletrodoméstico; 19,3% do setor de tecidos, vestuário e calçados enfrenta o mesmo problema.

A falta de estoques suficientes para essa Black Friday pode reduzir o desempenho das vendas em categorias como a de eletrodomésticos. Apesar da expectativa para a data de promoções, oficialmente nesta sexta-feira, 27, ser de recordes para o comércio eletrônico, a falta de insumos na indústria pode travar as vendas, especialmente de empresas menores, com menos poder de barganha e caixa para montar estoques grandes.

Uma sondagem feita pelo Ibre/FGV e obtida pelo Estadão/Broadcast mostra que, em novembro, 30,8% das empresas estão com estoques insuficientes de móveis e eletrodomésticos. Além disso, há dificuldade para fazer a reposição: 31,8% indicam o tempo de entrega dos fornecedores como uma limitação para a aceleração dos negócios.

O coordenador do estudo, Rodolpho Tobler, diz que muitas empresas conseguiram se preparar para as vendas online desta sexta, mas que as limitações de insumos na indústria devem pesar. "Elas estão preparadas, mas o desempenho poderia ser melhor. Tem aumentado o índice de empresas que relatam o problema de demora na entrega da indústria", afirma.

Em novembro de 2019, apenas 2,3% das empresas reclamavam que, em móveis e eletrodomésticos, o tempo de entrega da indústria estava elevado e somente 11,5% diziam não ter produtos o suficiente em estoque.

Outro setor que tem tido crescentes problemas de fornecimento e pode ter uma Black Friday menos movimentada é o de tecidos, vestuário e calçados. O maior tempo de espera pelos produtos é relatado por 14,2% das empresas. Outras 19,3% apontam estoque abaixo do necessário. "Existem outros setores com essas porcentagens elevadas, mas eles são menos sensíveis à Black Friday", explica Tobler.

Dentre as áreas que ele cita, estão as de materiais de construção e de veículos, motos e peças. Segundo a sondagem, 45,3% das empresas de material de construção indicam demora na entrega dos produtos e 34,5%, estoques insuficientes. Na categoria de veículos, motos e peças, 35,3% relatam demora nas entregas, e 36%, estoques insuficientes.

O diretor de operações da consultoria de varejo Gouvêa, Eduardo Yamashita, vê uma distinção entre empresas mais e menos preparadas. "Há um desafio relacionado a insumos, produção e produtos acabados. Isso começou a bater no varejo nos últimos dois meses. E, realmente, nesta Black Friday, devemos ter comportamento diferente nas dinâmicas de consumo", afirma.

Além disso, ele pontua que há quem escolha preservar estoques para o Natal, para vendê-los com margem cheia ao invés de comercializá-los com os descontos da Black Friday.

Ninguém está imune

A loja eletrônica Estrela10, que tem cerca de 80% de suas vendas vindas de grandes marketplaces, demonstra um pouco da dificuldade que os vendedores dessas plataformas enfrentam. A empresa estima chegar aos R$ 500 milhões em faturamento até o fim deste ano e teve condições de abastecer as prateleiras. No entanto, não ficou livre dos problemas de fornecimento.

"Muitos produtos estão fora do mercado, pois o fornecedor não consegue mais matéria-prima. Houve um desbalanceamento em toda a cadeia de suprimentos e a tendência é de que leve alguns meses para normalizar", conta Benhur Cezar, diretor de tecnologia e e-commerce da empresa. "Nós estamos preparados, com nossos CDs (centros de distribuição) cheios de mercadoria, mas de um modo geral os preços do varejo subiram nos últimos meses, devido à escassez de mercadorias."

Segundo ele, isso deve afetar os preços que chegam ao consumidor final. "Na sexta-feira, a tendência é de que vendamos muito bem, mas o mercado como um todo não terá grandes ofertas como nos outros anos", complementa.

Em outras frentes, a empresa se preparou para a sexta-feira mais aguardada do ano no varejo. A Estrela10 fez neste ano um investimento de R$ 1,3 milhão em um novo centro de distribuição em Barueri, na Grande São Paulo. A partir dele, pretende entregar produtos em até 24 horas na capital, com a ajuda de transportadoras parceiras. A Black Friday será o primeiro teste da nova operação.

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