O Piauí ocupa, em 2024, a terceira posição entre os estados brasileiros com maior taxa de suicídios, com 11,49 mortes por 100 mil habitantes, ficando atrás apenas do Rio Grande do Sul (13,41) e de Santa Catarina (12,17), segundo levantamento nacional divulgado por veículos como Cidades na Net e Portal Saiba Mais. No Nordeste, o estado lidera com folga, superando inclusive a média nacional, que gira em torno de 6,7 por 100 mil.
A taxa alarmante vem acompanhada de uma elevação expressiva no número de casos. Em 2023, o Piauí registrou 334 suicídios. Em 2024, o número saltou para 388 casos, o que representa um aumento de 16,17%. A maior parte das mortes ocorreu entre homens (302 casos), mas o crescimento mais acelerado foi entre mulheres: de 63 para 83 casos, o que equivale a um aumento de 31,7%.
Embora o Brasil tenha apresentado uma leve queda no número total de suicídios, passando de 16.455 em 2023 para 16.218 em 2024 (uma redução de 1,44%), os números continuam elevados. Em média, 44 brasileiros tiram a própria vida por dia.
A Região Nordeste foi responsável por 3.765 suicídios, cerca de 23,2% de todos os casos registrados no país, segundo o mesmo levantamento. No entanto, os dados revelam grandes disparidades regionais: enquanto estados como Pernambuco e Ceará apresentam números absolutos mais altos, o Piauí se destaca negativamente pela alta taxa proporcional à sua população.
Por que o Piauí tem taxas tão altas?
Especialistas em saúde mental apontam múltiplos fatores que podem influenciar esses índices, incluindo:
Estudos da Fiocruz e da Universidade de Brasília (UNB) revelam que grupos como jovens, indígenas, homens e idosos compõem as faixas mais vulneráveis ao suicídio no Brasil — e isso se aplica especialmente ao contexto piauiense.
Ações de combate e prevenção
Diante da gravidade do cenário, o Governo do Piauí tem intensificado iniciativas de prevenção:
Criação de uma Gerência Estadual de Prevenção ao Suicídio, dentro da Secretaria de Estado da Saúde (SESAPI)
Parcerias com universidades públicas, como o projeto “Mapeando Cuidados”, que amplia o atendimento psicológico em instituições de ensino superior
Reforço nas ações do Setembro Amarelo, com campanhas de conscientização e orientação para acolhimento
Além disso, o estado passou a integrar programas do Ministério da Saúde com foco na formação de profissionais, capilarização da Rede de Atenção Psicossocial (RAPS) e articulação com o CVV (Centro de Valorização da Vida).
O Piauí vive uma crise silenciosa de saúde mental. Apesar de avanços na prevenção e atenção psicossocial, o estado ainda enfrenta um quadro alarmante de suicídios, com taxas muito acima da média nacional. O desafio vai além das estatísticas: trata-se de uma questão humana, social e de saúde pública que exige resposta imediata, investimento contínuo e, sobretudo, empatia.