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Auxílio emergencial muda a disputa eleitoral no berço do Bolsa Família

A pandemia teve forte impacto nas escolas, fechadas desde março. Na rede municipal, não há aulas pela internet.

21/09/2020 16h39
Por: Redação Fonte: O Globo
População se reúne para convenção partidiária no centro de Guaribas. Na foto, forró ao meio dia na praça da cidade Foto: Manoel Ventura / Agência O Globo
População se reúne para convenção partidiária no centro de Guaribas. Na foto, forró ao meio dia na praça da cidade Foto: Manoel Ventura / Agência O Globo

Na última terça-feira, sob o sol do meio-dia, um grupo dançava forró na praça do centro de Guaribas. Apesar da pandemia, moradores da pequena cidade piauiense se reuniram ali para a convenção que sacramentou a escolha de um dos candidatos a prefeito.

Era uma reunião só para partidários, mas atraiu gente da cidade e da zona rural. Enquanto comerciantes se prontificavam a vender cerveja e refrigerante para aplacar o forte calor, muitos aproveitaram para confraternizar.

As primeiras notícias sobre o coronavírus assustaram a cidade, que teve 13 casos de Covid-19 e nenhuma morte, mas agora pouca gente usa máscara pelas ruas. No comércio e nos bares, pouca coisa mudou.

As eleições municipais começam a ocupar as conversas — e a gerar aglomerações — não só em Guaribas, mas também em São Raimundo Nonato e nas outras cidades da região. No entanto, o impacto do auxílio emergencial na economia local deve dar cores diferentes ao pleito deste ano.

‘Candidato do Lula’

Assim como na maior parte do Nordeste, Jair Bolsonaro perdeu de longe para Fernando Haddad (PT) nessa região do Piauí na eleição presidencial de 2018. No entanto, o auxílio emergencial mudou a percepção de muitos sobre o presidente.

Quando visitou São Raimundo, em julho, Bolsonaro foi recebido por uma multidão no aeroporto da cidade. Andou a cavalo e ganhou chapéu de vaqueiro antes de seguir para uma inauguração.

Em Guaribas, 2,1 mil pessoas receberam as cinco parcelas de R$ 600 já pagas pelo governo. Em São Raimundo Nonato, foram 15 mil. Em ambas, os contingentes representam praticamente metade da população.

O voto na região não tem ideologia. Diante da urna, a conta é simples: se a vida melhorou, o voto vai para o grupo político identificado como responsável. Esse sentimento deu a Haddad, que reivindicou a herança do Bolsa Família, 98% dos votos em Guaribas no segundo turno. Bolsonaro teve precisamente 59 votos.

Até hoje, o aposentado Laurimar Silva tenta descobrir quem votou em Bolsonaro entre os vizinhos. Quando o resultado das eleições foi confirmado, há quase dois anos, ele conta que a cidade parou para especular quem poderia ter deixado de votar no “candidato do Lula” no berço do Bolsa Família. Agora, tem uma visão diferente de Bolsonaro por causa do auxílio emergencial.

— Hoje eu mesmo estou dividido entre Lula e Bolsonaro. A gente não esquece o que Lula fez. Mas esse Bolsonaro ajudou o povo aqui, e já se vê a influência dele. Esse auxílio veio na hora certa — diz o morador.

Geisson Souza, caminhoneiro que está sem trabalhar e vive do auxílio, aproveitou a convenção em Guaribas para vender bebidas. A mercadoria acabou logo. Ele diz que votaria na reeleição de Bolsonaro:

— Na eleição, nem conhecia ele direito. Mas, agora, tem que votar com ele, não tem como. Pelo que fez por nós aqui. Foi muito bom esse auxílio.

Nas conversas, os moradores indicam que a única coisa capaz de prejudicar o cenário favorável ao presidente é a recente alta no preços dos alimentos no momento em que o governo reduz o auxílio.

Pandemia afeta escolas

Há ainda o temor de que o Bolsa Família não continue em 2021, embora o presidente tenha divulgado um vídeo nas redes sociais na semana passada em que desautoriza a equipe econômica a falar em Renda Brasil e diz que manterá o Bolsa Família.

— Já é tudo difícil com Bolsa Família. Se cortar, vamos passar fome — diz a dona de casa Keila Patrícia, de 30 anos.

Enquanto pouca gente foi infectada pelo coronavírus em Guaribas, São Raimundo Nonato, que reservou uma unidade de saúde só para Covid-19, teve 1.129 casos e sete mortes até agora.

O número alto de registros oficiais se deve a uma estratégia da prefeitura de fazer o que chama de “busca ativa”: ir à casa das pessoas, testar e isolar quem for confirmado com a doença.

Mas a pandemia teve forte impacto nas escolas, fechadas desde março. Na rede municipal, não há aulas pela internet. Os pais precisam buscar atividades e exercícios impressos na escola a cada duas semanas.

— A gente tenta ajudar a ensinar eles, mas tem coisas que não aprendem sozinhos ou eu não consigo explicar. Então, está difícil. Neste ponto, o ano está perdido — conta Lucrécia Silva, dona de casa, que tem dois filhos, de 12 e 8 anos.

Conteúdo original O Globo.

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