Cidades Fartura do Piauí
Ministério Público ingressa com ação contra Prefeitura de Fartura do PI por contratações temporárias ilegais
As contratados por interesse público (137) quase se iguala ao de servidores efetivos (176)
28/05/2025 09h04 Atualizada há 1 ano
Por: Portal SRN
Ministério Público em São Raimundo Nonato - (Imagem: Weslley Moreira/Portal SRN)

A 2ª Promotoria de Justiça de São Raimundo Nonato ingressou com Ação Civil Pública contra o Município de Fartura do Piauí após identificar, por meio do Inquérito Civil nº 14/2019, a prática reiterada de contratações temporárias ilegais entre os anos de 2017 e 2019. As contratações ocorreram nas áreas de saúde, educação, serviço social e administração, descumprindo preceitos constitucionais.

Segundo o Ministério Público do Estado do Piauí (MPPI), as investigações revelaram que centenas de profissionais foram contratados temporariamente para exercer funções permanentes, com sucessivos aditivos contratuais e vínculos mantidos por até três anos, o que configura burla ao concurso público, conforme o artigo 37, inciso II, da Constituição Federal. A Lei Municipal nº 053/2017 autorizou mais de 180 cargos temporários, abrangendo diversas funções como professores, médicos, psicólogos, assistentes sociais e motoristas.

Documentos anexados ao inquérito apontam que ao menos 143 servidores estavam sob contratos temporários durante o período investigado, sem justificativa plausível de urgência ou excepcionalidade. Dados atualizados de março de 2025, obtidos junto ao TCE/PI, reforçam a gravidade do caso: o número de contratados por interesse público (137) quase se iguala ao de servidores efetivos (176), evidenciando um desvio de finalidade na gestão de pessoal da prefeitura.

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Apesar das recomendações e da tentativa do MP de firmar um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC), o Município recusou-se a aderir, alegando dificuldades financeiras. Ainda assim, manteve as contratações irregulares como prática corrente e, recentemente, lançou o Edital nº 01/2025 para novo teste seletivo, ignorando as irregularidades apontadas.

O MP destaca ainda que algumas funções previstas em lei continuam sendo ocupadas de forma direta, sem qualquer processo seletivo ou edital público, o que infringe os princípios constitucionais da legalidade, moralidade e impessoalidade.

Na ação judicial, o Ministério Público requer, em caráter de urgência, que o Judiciário obrigue o Município a cessar imediatamente as contratações irregulares, promova processos seletivos com ampla publicidade e, posteriormente, realize concurso público para o provimento dos cargos efetivos. O MP também solicita multa diária de R$ 10 mil em caso de descumprimento, limitada a R$ 500 mil.