Brasil INSS
Entidades trocaram de nome para retomar descontos milionários no INSS
Associações que tiveram acordos rescindidos com INSS por fraudes voltaram a aplicar descontos de aposentados nos governos Bolsonaro e Lula
06/05/2025 08h33
Por: Portal SRN Fonte: Metrópoles
Imagem: Reprodução

Duas entidades investigadas no esquema bilionário de fraudes contra aposentados do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) mudaram de nome após terem acordos com o órgão rescindidos por causa de irregularidades e assinaram novos contratos nos governos Bolsonaro (PL) e Lula (PT) para voltarem a faturar milhões de reais com descontos de mensalidade sobre aposentadorias.

O escândalo do INSS foi revelado pelo Metrópoles em uma série de reportagens publicadas a partir de dezembro de 2023. Três meses depois, o portal mostrou que a arrecadação das entidades com descontos de aposentados havia disparado, chegando a R$ 2 bilhões em um ano, enquanto as associações respondiam a milhares de processos por fraude nas filiações de segurados.

As reportagens do Metrópoles levaram à abertura de inquérito pela PF e abasteceram as apurações da Controladoria-Geral da União (CGU). Ao todo, 38 matérias do portal foram listadas na representação que deu origem à Operação Sem Desconto, deflagrada no dia 23/4 e que culminou nas demissões do presidente do INSS, Alessandro Stefanutto, e do ministro da Previdência, Carlos Lupi.

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De zero a R$ 2 milhões

 

100% de descontos sem autorização

Operadora do esquema

A AAPEN já foi presidida pela advogada e servidora federal aposentada Cecília Mota. Como mostrou o Metrópoles, ela é investigada pela PF por ter movimentado R$ 14 milhões.

Por meio de seu escritório, ela teria recebido valores de associações investigadas nas fraudes e repassado para empresas e familiares de dirigentes do INSS. Cecília também fez 33 viagens, algumas para destinos internacionais como Dubai, no auge da farra dos descontos.

Segundo o Portal da Transparência, Cecília recebia, até março, uma pensão mensal de R$ 8,2 mil do INSS, benefício ao qual ela tem direito desde 1990, por ser filha de um ex-técnico do órgão já falecido. Em abril, o valor da pensão foi reajustado para R$ 10,6 mil.