Os parques nacionais da Caatinga, único bioma exclusivamente brasileiro, registraram cerca de 2,5 milhões de visitas em 2023, de acordo com o estudo Visitômetro dos Parques do Brasil, do Instituto Semeia. Um deles é o Parque Nacional Serra da Capivara, conhecido como "berço do homem americano" e localizado no Sul do Piauí.
Apesar do alto número de visitas, a Caatinga também é um dos biomas mais desmatados do país. Segundo a plataforma colaborativa MapBiomas, que utiliza imagens de satélite, o desmatamento alcançou 177 mil hectares em 2024. No Piauí, o número ultrapassou 36 mil hectares.
O Dia Nacional da Caatinga é comemorado nesta segunda-feira (28). A data foi instituída pelo governo federal em 2003 e homenageia o nascimento do ecólogo João Vasconcelos Sobrinho, um dos pioneiros nos estudos ambientais no Brasil e defensor da valorização e conservação do bioma.
Em 2024, a Serra da Capivara foi visitada por quase 40 mil pessoas. Reconhecido como patrimônio mundial da humanidade pela Unesco, o parque tem mais de 1.200 sítios arqueológicos com arte rupestre – pinturas feitas em rochas e paredes de cavernas há milhares de anos.
Além disso, o parque apresenta vegetação típica da Caatinga, como cactos, bromélias e árvores adaptadas ao clima seco.
Nos boqueirões, áreas mais úmidas, há árvores maiores e que não perdem as folhas, como a gameleira. Essas paisagens atraem os visitantes, como aponta a chefe da Serra da Capivara, Marian Rodrigues.
Marian explica que as áreas internas do parque são preservadas do desmatamento, mas os efeitos dele se refletem no entorno do parque e podem gerar problemas graves no futuro.
Instituídos em 2024, os Planos de Ação para Prevenção e Controle do Desmatamento e das Queimadas na Caatinga (PPCaatinga), do Governo Federal, revelaram que os principais fatores do desmatamento do bioma são:
A diretora-executiva do Instituto Semeia, Renata Mendes, lembra que o turismo de natureza da Caatinga – que gera oportunidades de renda locais com guias, pousadas, restaurantes e artesanato – é prejudicado pela perda de vegetação nativa.
"A desertificação avança em várias áreas, impulsionada pelo uso inadequado da terra e pelas mudanças climáticas, que tornam as secas ainda mais severas. Além disso, falta investimento em políticas públicas que valorizem e protejam o bioma e acabam pressionando os recursos naturais para sobreviver", avalia a diretora.
Para Marian Rodrigues, programas educativos e turismo sustentável são caminhos concretos que podem impulsionar a visitação à Serra da Capivara e reduzir a degradação do bioma em que ela está inserida.
"Os programas devem envolver tanto a população local quanto os visitantes, mostrando a importância da conservação da Caatinga e do patrimônio natural e cultural que temos ali. É fundamental desenvolver atividades turísticas que respeitem o meio ambiente e que também beneficiem diretamente as comunidades locais, fortalecendo o sentimento de pertencimento e incentivando a preservação dos nossos recursos naturais", completa a chefe.