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São Raimundo Nonato Auxílio Emergencial

Auxílio emergencial mudou realidade de cidades pobres com aumento do consumo

Benefícios de R$ 600 e R$ 1.200 injetaram recursos em famílias humildes e beneficiou o comércio essencial

16/06/2020 10h56 Atualizada há 4 semanas
Por: Participação Popular Fonte: Por Edjalma Borges, Especial para o Portal SRN
Centro de São Raimundo Nonato/PI (Imagem: Lucas Parente / Edjalma Borges)
Centro de São Raimundo Nonato/PI (Imagem: Lucas Parente / Edjalma Borges)

Garantir comida na mesa é uma nova realidade para Margarida Ribeiro Soares, de 33 anos, moradora de um bairro em São Raimundo Nonato. Ela viu seu rendimento quadruplicar ao ter o Bolsa Família substituído pelo auxílio emergencial. Por ser mãe, chefe de família e estar impedida de trabalhar por causa da pandemia, Margarida está recebendo duas cotas do benefício: são R$ 1.200 por mês.

Agora, além de conseguir comprar o alimento para os sete filhos, está com o aluguel em dia, o que já não acontecia há algum tempo.

“Eu trabalhava em uma casa de família, mas fui dispensada desde que surgiram os primeiros casos de coronavírus em São Raimundo Nonato. A partir daquele momento foram dias difíceis, de desespero e angústia por não saber como sustentaria meus filhos. A vinda do auxílio foi uma benção de Deus, pois salvou minha família da fome”, conta a dona de casa emocionada.

Margarida está entre os 50 milhões de brasileiros beneficiados com o auxílio emergencial. Com o pagamento da segunda parcela entrando em fase final, os piauienses receberam até o momento R$ 1,64 bilhão do benefício. Balanço divulgado no dia 11 de junho, aponta que o Piauí recebeu 2,1% do total pago aos brasileiros por meio do programa assistencial.

A injeção deste montante para garantir o sustento dos mais vulneráveis em meio à pandemia do novo coronavírus (Covid-19) tem mudado a realidade nos municípios do Sudoeste piauiense.

Em São Raimundo Nonato, cidade que é polo comercial de uma região composta por cerca de 13 municípios, o comerciário Erondi de Matos conta que houve uma espécie de efeito multiplicador: com mais dinheiro, aumentou o consumo das pessoas no ramo de gênero alimentício, o que consequentemente aumentou a arrecadação para a cidade.

“O pagamento do auxílio emergencial influenciou demais no aumento das vendas de alimentos como arroz, milho e açúcar. No momento não há crise no comércio de alimentos e todos os comerciantes com quem converso contam que estão vendendo agora mais do que antes da pandemia”, conta o comerciário, responsável por cuidar do abastecimento de uma rede de supermercados em São Raimundo Nonato.

De acordo com dados do Ministério da Cidadania, o auxílio emergencial atingiu, no fim de abril, em média, 25% da população dos 5.570 municípios brasileiros. Em cidades do porte de São Lourenço do Piauí, por exemplo, com cerca de cinco mil habitantes, a taxa dos beneficiários superou a média dos que recebem o Bolsa Família, que é de 13,2%.

Embora o consumo esteja em alta, essencialmente no setor alimentício, o desemprego continua. Em cidades do Sudoeste piauiense ter um trabalho fixo é motivo de muito orgulho, conta um empacotador de um supermercado em São Raimundo Nonato.

Antes da Covid-19, 12,3 milhões estavam desempregados e mais de 1,4 milhão de brasileiros aguardavam na fila para ter acesso ao Bolsa Família.

Prorrogação do auxílio

Com a possibilidade de o auxílio ser pago por mais duas parcelas, cujo valor a equipe econômica do governo federal defende ser de R$ 300, muita gente vê essa previsão como uma ajuda importante em um período difícil até que surjam novas oportunidades de trabalho no Sudoeste piauiense.

Mesmo não sendo um valor alto e sendo um benefício temporário, o recurso tem feito diferença nas cidades pequenas, onde já há grande dependência de transferência de renda. É o caso de cidade de Bonfim do Piauí. Dos 5.800 moradores da cidade, 1.068 têm acesso ao Bolsa Família. No município, mais de 2.450 habitantes estão recebendo o auxílio emergencial.

“Aqui o auxílio ajudou a manter a economia, pois os supermercados e as farmácias, que são considerados estabelecimentos essenciais, mantiveram suas vendas. Apesar deste período de isolamento, tivemos um bom inverno com a safra do feijão e do milho, e o auxílio foi fundamental até mesmo para que as pessoas pudessem se dedicar mais a seus trabalhos na agricultura, pecuária e apicultura”, conta o prefeito Paulo Henrique Viana (PSD).

De acordo com ele, até o momento, no município, as pessoas não passaram por necessidades alimentares. “Fizemos o que era possível e distribuímos a merenda escolar no valor de quase R$ 40 mil. Estamos trabalhando para ajudar neste período de pandemia”, explica.

Reação na economia

Um estudo do Centro de Desenvolvimento e Planejamento Regional da Universidade Federal de Minas Gerais (Cedeplar/UFMG) mostra que, caso o auxílio emergencial fosse estendido até dezembro, o Produto Interno Bruto (PIB) seria beneficiado em 0,55%. Com o encerramento em junho, a perspectiva é de 0,44%.

Segundo a pesquisa, a extensão do benefício aumentaria o consumo das famílias. Ainda de acordo com o levantamento da UFMG, se o auxílio deixar de existir em junho, a arrecadação de tributos será de R$ 22,3 bilhões, menos de um quinto dos R$ 128 bilhões que seriam registrados caso a política fosse estendida até o fim de 2020.

O estudo também aponta que os setores mais impactados seriam os de eletrodomésticos, perfumaria, higiene e limpeza. As classes econômicas mais altas também seriam beneficiadas, embora não recebam o auxílio.

Pós-auxílio

Um morador de São Lourenço do Piauí, cuja população é de cerca de cinco mil habitantes, e 2.044 estão recebendo o auxílio emergencial, sob a condição de anonimato, conta que depois que o benefício acabar vai chegar o “negócio do voto”. É que com as campanhas na rua, se o calendário eleitoral não mudar, surgirão trabalhos de cabos eleitorais, e, segundo ele, até mesmo a compra de votos, prática proibida, mas comum em cidades do interior.

Por enquanto, o que há é a incerteza com a continuidade do pagamento do auxílio emergencial e o aumento de contaminados pela Covid-19. São Raimundo Nonato contabilizou 84 casos confirmados na segunda-feira (15), 63 recuperados e três óbitos.

Uma moradora do município acredita que logo este índice será estancado e que a única certeza, depois das eleições, é que os políticos vão sumir e não darão mais as caras na comunidade. “São como Papai Noel, que só aparece no Natal”, avalia ela.

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