Empresas terceirizadas de transporte dos Correios no Paraná e na Bahia iniciaram paralisações nesta terça-feira (1º). Alegam atraso nos pagamentos. Há movimentação em outros Estados, mas não há um comando central entre os empresários.
Companhias se queixam de pagamentos picados no limite do prazo, mas que mantêm as entregas com receio de multas.
Em alguns casos, as empresas dizem ter chegado no limite do uso do seu capital de giro e que não conseguem manter o básico da operação, como abastecer os veículos. Afirmam que terão de interromper o serviço.
É o caso da transportadora Transvel, que opera para a estatal na região de Londrina (PR). O proprietário, Vanderlei Gabriel de Souza, 40 anos, disse que os 26 caminhões da empresa pararam nesta 3ª feira (1º.abr). Ele declarou que tem recebido picado e que as faturas de março estão todas vencidas.
“Não tenho mais recursos. Usamos dos outros clientes para segurar o atraso, mas não cobre mais. Estamos com o imposto atrasado, parcela de caminhão atrasado. Tem empresário com busca e apreensão dos veículos. E os Correios não respondem quando vão pagar. Só alegam problemas no sistema de pagamento“, disse.
Os Correios vivem o pior momento financeiro de toda a sua história. Em 2024, o rombo foi de R$ 3,2 bilhões. Neste ano, as contas começaram ruins. Só em janeiro, o prejuízo foi de R$ 424 milhões.
Funcionários da estatal que atuam no setor de transporte disseram que 13 empresas tiveram algum tipo de paralisação ao longo do dia.
Na semana passada, um grupo de 42 empresas de transporte terceirizadas pelos Correios fizeram uma nota conjunta dizendo que poderiam paralisar de forma definitiva todas as entregas a partir de abril.
Esses empresários disseram não ter recebido pagamentos referentes ao mês de janeiro de 2025.
Não foi o 1º apelo que as empresas terceirizadas fazem aos Correios. Na semana passada, foi enviada uma outra carta ao presidente da estatal, o advogado Fabiano Silva dos Santos. Eles ameaçavam parar pela falta de pagamentos.