Brasil Piauí
Gasto com salários do Judiciário sobe acima da inflação em 24 Estados
Paraná lidera ranking de aumento das despesas; só Bahia e Mato Grosso não avançaram mais que o índice de preços, segundo dados do Tesouro
30/03/2025 08h14
Por: Portal SRN Fonte: Poder 360
Imagem: Reprodução

Os gastos dos Estados com os salários do Judiciário aumentaram acima da inflação em 24 Estados em 2024. A maior alta anual foi no Paraná, com um avanço de 29,2% nas despesas com pessoal. Rondônia (26,77%) e Acre (21,5%) fecham o top 3 de maiores aumentos. O índice de preços oficial no período foi de 4,83%.

Só Bahia (3,18%) e Mato Grosso (-5,88%) tiveram variações abaixo do índice de preços. A Justiça mato-grossense foi a única com redução nas despesas no ano passado.

Os dados desta reportagem foram levantados pelo Poder360 no Siconfi (Sistema de Informações Contábeis e Fiscais do Setor Público Brasileiro), plataforma do Tesouro Nacional com base em informações declaradas pelos Estados.

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Consideram-se os desembolsos com pessoal dos tribunais estaduais. Brasília não entrou no levantamento porque o orçamento do TJDFT (Tribunal de Justiça do Distrito Federal e dos Territórios) é vinculado à União e as despesas são descritas de forma diferente.

Leia o detalhamento no infográfico:

INATIVOS: MAIS DE 1/4 DAS DESPESAS

Os gastos com inativos (aposentados + pensionistas) representam 26,6% do total desembolsado para pagamento de funcionários. Esse percentual varia entre os Estados, e é maior no Rio de Janeiro (35,4%).

DISPARIDADES, PENDURICALHOS E TRANSPARÊNCIA

Para Juliana Sakai, diretora-executiva da Transparência Brasil, essa disparidade nos salários do Judiciário “aumenta ainda mais as diferenças entre Judiciário e Executivo, em que a gestão e os responsáveis pela política pública têm carreiras menos atraentes”.

Ela diz que seria importante uma classificação melhor nos contracheques divulgados pelo CNJ (Conselho Nacional de Justiça) para melhorar a transparência desses gastos. Há centenas de rubricas diferentes, dificultando a compilação das informações em um padrão.

Os penduricalhos, segundo Sakai, também contribuem para o aumento desses gastos.  Ela menciona, por exemplo, que só licença-compensatória custou ao menos R$ 819 milhões ao Judiciário em quase 1 ano.

“Esta licença permite um aumento de até 1/3 das remunerações dos magistrados e tem turbinado contracheques como indenizações, ou seja, não são contabilizadas como remunerações e assim não incidem no teto constitucional, nem recolhem imposto de renda”, declarou.